Guimarães manifestou-se contra o racismo e lembrou que “as vidas negras importam”

“Queremos igualdade, mudem o sistema”, “A alma não tem cor” ou “Vidas negras importam” foram algumas frases ouvidas ao longo da tarde deste domingo na manifestação contra o racismo.

© Mais Guimarães

Depois de no sábado milhares de pessoas terem saído às ruas no Porto, Braga, Coimbra e Lisboa, ,este domingo foi a vez de Guimarães se fazer ouvir contra o racismo. “Queremos igualdade, mudem o sistema”, “A alma não tem cor” ou “Vidas negras importam” foram algumas das palavras de ordem que entoaram em algumas das principais ruas do centro da cidade de Guimarães.

O ponto de encontro foi o Largo do Toural onde, inicialmente, os organizadores pediram aos presentes para cumprirem as normas da Direção Geral de Saúde. “Mantenham o distanciamento social, usem máscara e estejam só com os vossos amigos”, apelava Joana, uma das responsáveis pela organização do protesto. Enquanto a marcha passava por várias artérias da cidade, “I Can’t Breath” (em português “não consigo respirar”) ou “Quantas vidas negras têm de ser tiradas até que algo seja feito?” eram algumas das frases que se liam nos cartazes dos manifestantes que se associaram, assim, à “luta pela dignidade humana” na sequência da morte, em maio, do afro-americano George Floyd, sob custódia da polícia dos Estados Unidos.

O cortejo percorreu a Alameda de S. Dâmaso, para logo de seguida subir a Avenida Alberto Sampaio e chegar ao largo da Câmara Municipal. Foi lá que todos se espalharam e sentaram no chão, cumprindo distanciamento social e colocando-se na posição de detidos. “Hoje estamos aqui por George e por todos os que sofrem diariamente”, gritava uma das organizadoras. No chão, fizeram-se ainda nove minutos de silêncio por George Floyd. – Foi este o tempo que George Floyd foi sufocado por um polícia até que acabou por perder a vida.

“Vejo muitas pessoas de pele branca a manifestarem-se. É muito bom que estejam a usar o seu privilégio para gritarem e nos ajudarem nesta causa, mesmo que não sofram diretamente com isso”, afirmou Mauro Marna, de 17 anos. O jovem vimaranense é negro e já viveu “várias situações de racismo”. “É sempre bom saber que há pessoas que nos apoiam e, apesar de não passarem pelo que nós passamos, têm consciência que é péssimo e ajudam-nos”, acrescentou.

Para Joana, da organização, “Guimarães e, no fundo, Portugal inteiro têm que ter voz em relação a estes assuntos, como todos os países. Não podemos ficar indiferentes. Isto foi uma chamada de atenção que veio provar o que acontece diariamente. Algo tem que mudar e nós estamos aqui para isso”, defendeu. A jovem de 15 anos lembrou que “Portugal também tem racismo, por muito que digam que não. Está à frente dos olhos de toda a gente, basta porem-se na pele dos outros”, atirou. Para Joana, este é um assunto “que tem de se falar agora, não podíamos esperar mais” e, daí, o apelo ao distanciamento social e ao cumprimento das regras.

Outro dos manifestantes, José Rodrigues, confessou ser “infelizmente” dos únicos “mais velhos” a marcar presença na manifestação. “Toda a minha vida lutei contra o racismo. Sei que foram mais os jovens a participar, mas eu tentei incentivar os mais velhos, porque isto também nos diz respeito. Diz respeito a todos”, afirmou.

José lamentou ainda que “muita gente” tenha criticado a manifestação, quando esta percorreu a Praça de São Tiago. “Estava tudo ao monte na esplanada, sem máscaras. Não tenho nada contra, mas convinha ter consciência e dar mais valor ao que é importante. Fiquei triste por ver tanta gente sentada nas esplanadas a criticar”, admitiu. Para o vimaranense, o racismo “acontece em todo o lado, nas nossas aldeias, casas, famílias e empresas. É preciso despertar consciências. Se toda a gente comer e calar, nada muda. Ainda bem que há jovens com estas ideias”, elogiou.

A manifestação percorreu ainda a Praça de São Tiago e a Rua de Gil Vicente para depois, pela Rua Paio Galvão, voltar ao local onde se iniciou. No varandim do Toural ficaram expostos os cartazes do protesto e Mauro deixou uma mensagem de agradecimento: “obrigada por nos ajudarem a mudar nem que seja 1% do que passamos”.

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