DANOS COLATERAIS PREVISÍVEIS

Torcato Ribeiro,

Dirigente Político do PCP

Em Outubro de 2014 é anunciado o início da obra das Salas de Ensaio a instalar no piso térreo do edifício do Teatro Jordão. Foram inauguradas em 24 de Junho de 2015 mas só entraram em funcionamento em Setembro de 2016. Estas obras, orçadas em 657.044,00 euros, mais IVA, foram comparticipadas em 85% pelo FEDER no âmbito do Programa Operacional Norte, cabendo ao município a comparticipação financeira de “apenas” 15%.

Passados 3 anos em funcionamento na reunião de Câmara realizada em 30-05-2019, foi aprovada a seguinte proposta: «Na sequência do encerramento temporário das Salas de Ensaio do Teatro Jordão, o Município encetou diligências no sentido de encontrar alternativas para os seus utilizadores habituais…» informando que «as instalações provisórias ficariam na freguesia de Aldão» e, penso eu, para atenuar o transtorno causado, «a sua utilização seria gratuita».

Esta proposta não é clara e não explica o porquê do encerramento e mudança de instalações e induz a ideia errada que as instalações foram encerradas para obras e que abrirão em breve. Não é bem o caso. O que ficou por dizer é que as instalações das Salas de Ensaio foram completamente demolidas, juntamente com o corpo central do edifício do Teatro Jordão, exceptuando a caixa de palco e o alçado principal voltado para a Av. D. Afonso Henriques.

O investimento financeiro (europeu e local) aplicado nas instalações das Salas de Ensaio foi parcialmente destruído, ou como é costume dizer, foi por água abaixo…

Recordo que em 2014, aquando da adjudicação da empreitada o presidente da Câmara Dr. Domingos Bragança disse que, «a conclusão da obra das Salas de Ensaio permite também por fim a uma fase de degradação do Teatro Jordão iniciando o seu ciclo de recuperação urbanística e funcional».

A Câmara sabia desde 2013, data do concurso para o Projecto de Arquitectura, o que pretendia para a denominada “requalificação” do Teatro Jordão, como sabia das alterações profundas a realizar no edifício, necessárias para albergar o programa previamente estabelecido por si e pelos parceiros envolvidos, a Academia de Musica Valentim Moreira de Sá e a Universidade do Minho. Mas mesmo sabendo isso não teve qualquer constrangimento em começar uma obra que sabia correr o risco de ser afectada posteriormente pela intervenção a executar em todo o edifício.

A Câmara quis andar, como diz o povo, com o carro à frente dos bois. E andou, mas o resultado não foi positivo.

No Sitio Electrónico da Camara Municipal de Guimarães, pode ler-se no canto superior esquerdo as palavras Visão e Estratégia. Neste caso não houve nem “visão” nem “estratégia” do executivo vimaranense quanto ao procedimento seguido desde a aquisição do edifício do Teatro Jordão. Não houve visão para salvaguardar a Sala de Espectáculos na sua originalidade nem o património existente que o desleixo condenou à destruição e ao saque. A este propósito honra seja feita à Sociedade Martins Sarmento que alertada para o abandono do edifício e perante o cenário de vandalização continuada, foi a tempo de salvaguardar documentos importantes de memória do cinema comercial que passou em Guimarães durante seis décadas.

Não houve visão nem estratégia que acautelasse devidamente o uso criterioso dos dinheiros públicos.

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