Diário de mais uma Assembleia Municipal

Por Mariana Silva, Deputada na Assembleia da República (Os Verdes)

No dia 25 de junho aconteceu a última reunião deste mandato da Assembleia Municipal. Ao fim de um ano regressamos ao formato presencial, olhos nos olhos. Mais vale tarde do que nunca. Convém recordar que os cuidados que tivemos nesta assembleia seriam os mesmos que teríamos que ter nas anteriores.

Frequentemente as últimas reuniões são o palco para promessas, balanços e despedidas. Esta não foi diferente.

Mas a CDU não levou promessas, não adivinhou o futuro, não fez discursos de despedida. Na última reunião fizemos como na primeira. Falámos dos problemas do concelho, procurámos respostas aos mesmos e fiscalizámos a actividade da câmara nas áreas que mais preocupam os vimaranenses, habitação, direitos dos trabalhadores, limpeza dos terrenos, centro de recolha oficial, a mobilidade, comércio tradicional e o sistema de acesso ao Centro Histórico.

A habitação que é um dos problemas gritantes do concelho de Guimarães. O PS, que está no poder há mais de 30 anos, no seu programa de 2017, prometeu a construção de 62 casas a preços acessíveis. Quatro anos depois, com o anúncio e 13 milhões de euros para a habitação, o senhor presidente admite que a verba não é suficiente. Será que tudo mudou assim de forma radical?

Questionámos, sem resposta, por que razão em Guimarães continua por cumprir a atribuição do Suplemento de Penosidade e Insalubridade aos trabalhadores identificados na lei. Foi por opção política, ou por incapacidade? Muitos outros municípios, como por exemplo os da CDU já optaram por garantir este direito aos seus trabalhadores.

As palmas são reconfortantes, as medalhas são reconhecimento de quem não é visto mas que se faz notar no nosso dia-a-dia mas o cumprimento dos direitos é a justiça para estes trabalhadores, que são tão importantes para a comunidade.

Infelizmente, em 2021, não foi possível deixar de falar sobre a falta de transportes públicos. A apresentação do plano de mobilidade foi em 2018 e continuamos a ouvir que o grande foco na reforma dos transportes serão os 22 autocarros elétricos.

Três anos depois, o transporte não serve as populações de todo o concelho, não oferece conforto, comodidade, frequência e rapidez, contribuindo para a coesão territorial e social. Sem esquecer que o Alfa para Lisboa ainda não foi reposto, 15 meses depois, a Câmara “vive da fezada” que será reposto, porque terá sido garantido pelo Governo.

Falámos de temas que perduram no tempo, como o acolhimento e tratamento a animais abandonados. O CRO de Guimarães é curto para as necessidades. Tem de ser ampliado. É uma promessa antiga e não está cumprida.

É urgente aumentar o espaço, reorganizar os métodos de acolhimento e de adopção, investir em pessoal e equipamentos para as necessidades mais comuns e mais urgentes. E ainda não foi neste mandato.

Por último, voltámos a falar sobre os pilaretes que regulam o acesso de veículos ao Centro Histórico, matéria sobre a qual já questionámos noutra reunião da Assembleia Municipal, enviamos pergunta escrita e não obtivemos resposta. Enquanto isso, os prejuízos nas viaturas sucedem-se sem solução e sem que a Câmara assuma a responsabilidade.

Não fizemos despedidas porque a vida continua. Com estes ou outros protagonistas. Sentados entre os eleitos da Assembleia Municipal ou da Câmara Municipal. Não nos despedimos da luta por acrescentar futuro a Guimarães.

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