Doença mental piorou com a pandemia

Os resultados de um estudo exploratório realizado pela Federação das Associações das Famílias de Pessoas com Experiência de Doença Mental, FamiliarMente, foram apresentados por Pedro Morgado, psiquiatra e professor da Escola de Medicina da Universidade do Minho, numa sessão que contou com a presença da diretora da DGS e da ministra da Saúde e apontam,de forma preliminar, para uma dependência na gestão das tarefas diárias e uma carga elevada sobre os cuidadores que dizem desconhecer os apoios sociais já existentes.

Foto: DR

Os dados recolhidos e apresentados, na sexta-feira, dia 21, no VI Encontro Nacional das Famílias, da associação FamiliarMente, e com o apoio do Programa Nacional para a Saúde Mental da DGS, mostram uma carga elevada da doença mental com mais de ¼ dos inquiridos a não poder ficar sozinho a maioria das vezes.

Este trabalho teve um carácter exploratório, procurando perceber os indicadores mais notórios da carga e custo da doença mental nos pacientes e nos seus cuidadores. O trabalho contou com uma amostra de 125 inquiridos, com uma abrangência nacional, e equitativo em termos de género.

Durante a pandemia, a maioria das pessoas manteve o plano de tratamento e o acesso aos cuidados de saúde mental, embora a maioria tenha visto as atividades de ocupação regular interrompidas.

A empregabilidade e a participação em atividades de cariz social são fatores distintivos na integração e na capacitação das pessoas com saúde mental, sendo também aqui claro que, neste inquérito exploratório, dois terços dos inquiridos não participam de qualquer atividade cultural ou atividade regular – mesmo não remunerada.

A importância dos cuidadores – e a sua sobrecarga

Uma das notas importantes que se retirar desta primeira fase de estudo é a relevância de pessoas já reformadas entre os cuidadores. Mais de 25% dos inquiridos que cuidam de pessoas com doença mental estão aposentados por limite de idade, acrescendo 8% que também estão reformados por invalidez.

Os rendimentos do agregado familiar, principalmente atendendo a possíveis despesas acrescidas em saúde, também tem um impacto na qualidade de vida dos pacientes e dos próprios cuidadores. Um dos fatores distintivos é a elevada percentagem – 57,6% da amostra – com rendimentos do agregado abaixo dos 1.500 euros, estando mais de um terço dos inquiridos com rendimentos abaixo dos 1.000 euros.

A sobrecarga dos cuidadores implica ainda um claro aumento do desgaste e dos sinais de ansiedade. Praticamente nove em cada dez cuidadores sente cansaço ou desgaste físico pelo menos algumas vezes, sendo que um terço apresenta sinais de ansiedade ou depressão recorrentemente.

Apesar dos cuidadores estarem altamente envolvidos e prestarem cuidados de elevada complexidade, verificam-se elevados impactos no funcionamento pessoal e familiar bem como elevados níveis de sofrimento. Assinala-se ainda a baixa rede de suporte para os cuidadores com grande desconhecimento dos apoios existentes. A quase totalidade dos cuidadores desconhece a existência do Estatuto de Cuidador Informal e mais de 60% não conhece qualquer dos apoios existentes.

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