DR. FERNANDO ALBERTO

Nome Fernando Alberto
Matos Ribeiro da Silva
Nascimento 01 de junho de 1931
Guimarães, Portugal
Profissão Advogado e político

Não seguiu para cargos de ministro porque precisava de ouvir “os sinos da Basílica de São Pedro”. Ia aos congressos do PSD, que ajudou a fundar em Guimarães, mas tinha que voltar no mesmo dia a casa. Sempre muito dedicado à causa pública, caracteriza-se por ser uma pessoa frontal e, por conta disso, ganhou o epíteto de “rezingão”. Gostava de ser lembrado por isso – mais do que ser advogado, político, ativo membro do movimento associativo –, o Dr. Fernando Alberto, como é conhecido, quer que o seu legado seja o de um homem honesto. “Já fui muito lembrado em vida” – e não deve ser assim? – “e esta gente gosta de mim, tanto no distrito como na cidade”, diz-me, sem vaidades.

Afinal a idade já não dá para essas coisas, nem para humildades bacocas nem ostentações veladas: “Há tipos bem mais inteligentes do que eu, não fiz nada de especial. Apenas disse frontalmente a toda gente o que pensava”, afirma esta personalidade vimaranense, recentemente reconhecida pela União das Freguesias de Oliveira, São Paio e São Sebastião (nasceu na antiga Rua da Cadeia, que hoje liga a Praça de Santiago ao Largo da Misericórdia). Esta homenagem não foi a única. No seu “palmarés” está ainda a Comenda da Ordem do Mérito Civil, dada pelo Presidente da República, em 1990. Em 2008 recebe das mãos de Cavaco Silva, a quem ajudou a eleger no famoso congresso da Figueira da Foz, o título de Grande Oficial da Ordem de Mérito Civil. Recentemente foi agraciado com uma medalha de mérito da cidade de Guimarães.

Mas mais do que isso recompensa-o, tal como o primeiro reitor da Universidade do Minho, Lúcio Craveiro da Silva lhe disse, “a vida bem vivida”. E foi, bem vivida? – pergunto-lhe. Garante-me que sim. Eram exigentes as lutas que travou, tanto políticas (é bem conhecida a sua posição sobre a elevação de Vizela a concelho vertida no livro “O Caso Vizela. Vergonhosa Capitulação Política”), como desportivas (foi presidente da Assembleia Geral do Vitória após a saída de Pimenta Machado, tese que está no livro “A regeneração do Vitória de Guimarães. Testemunho de consciência”) e associativas (fundador da Unidade Vimaranense, foi firme defensor da instalação da Universidade do Minho em Guimarães). Quem saiu prejudicada foi a família, de quatro filhos e quatro netos – sendo que a longevidade já lhe trouxe a tristeza de ver partir descendentes.

Defende que a “política é a coisa mais bonita do mundo” mas, ressalva, “tem que ser exercida para o bem dos outros”. As suas duas grandes referências políticas morreram tragicamente: integrou a Comissão de apoio à Candidatura do General Humberto Delgado à Presidência da República, em 1958, e mais tarde foi aliado de Sá Carneiro na fundação do PPD/PSD no país e, particularmente, em Guimarães. O seu currículo é longo: advogado (formou-se em 1958), integrou órgãos diretivos da Ordem dos Advogados, foi governador civil de Braga durante 13 anos, deputado na Assembleia Constituinte e tanto mais que estas linhas não chegam para enumerar.

Apesar de, contados que estão 85 anos desde que nasceu, os que o rodeiam apelarem a que deixe escritas as memórias, o Dr. Fernando Alberto prefere pegar nos livros, documentos e papéis que me vai mostrando para lembrar a sua história e agrupá-los com fio de sisal. Lançálos-ia ao rio Ave.

Por: Catarina Castro Abreu

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