DULCE FÉLIX

Nome completo: Ana Dulce Félix
Nascimento: 23 de outubro de 1982, Guimarães, Portugal
Profissão: Maratonista

Às vezes para desistir também é preciso coragem. A vimaranense Dulce Félix esteve no passado domingo, 01, na Maratona de Nova Iorque e o pior aconteceu. “Uma dor que nunca tinha sentido na virilha” obrigou-a a deixar a prova a meio. Outras razões levaram a que o mesmo lhe acontecesse em 2010 e 2013. Dulce não queria ter passado pelo mesmo pesadelo: antes de partir para os Estados Unidos afirmou nem se lembrar do tempo exato que fez quando desistiu da última vez. “Não queria voltar a desistir. Massacrei o corpo e a cabeça. Nem me lembro do tempo exato que fiz… Nem quis ficar com a marca na memória”, afirmou antes da ida para Nova Iorque.

Se uma lesão a levou a não terminar a prova em 2010, a ferida que provocou a sua desistência três anos depois foi bem mais profunda. A morte do pai, um mês antes da corrida, roubou a força anímica desta atleta conhecida pelo seu espírito de sacrifício. Correu 12 anos até decidir deixar o trabalho que tinha nas confecções J. F. Almeida, em São Martinho do Conde (Guimarães), de onde é natural. Coincidentemente só quando tomou a decisão de deixar o emprego certo pelas corridas incertas é que começou a ter o rendimento que a faria entrar na história do atletismo nacional.

É que não chega só treinar, também tem de se descansar. Levantar-se às seis da manhã para ir treinar e depois trabalhar oito horas em frente a uma máquina automática em pé só permitia a Dulce Félix evoluir até um certo ponto. E ela precisava de dar o salto. Sete anos volvidos dessa mudança de vida, a atleta foi campeã europeia dos 10.000 metros em 2012, foi duas vezes vice-campeã europeia de Corta-Mato, três vezes campeã nacional de Estrada e cinco vezes campeã nacional de Corta-Mato Longo.

O seu currículo prova que é uma atleta todo-o-terreno. Corre 200 quilómetros por semana para poder preparar as provas em que participa. E faz de cada quilómetro uma conquista. É esse o testemunho que vai deixando nas intervenções que faz em conferências, dando o seu exemplo de persistência como quando lhe asseguraram que a lesão que contraiu em abril de 2012 a faria falhar os Jogos Olímpicos desse ano. Superou-se a si mesma e nas Olimpíadas de Londres 2012 conquistou o 21º lugar na maratona. Mais recentemente correu metade da Meia Maratona de Coimbra com o queixo aberto. Caiu e só no final da prova é que lhe coseram a ferida. Venceu a prova com a marca de 1.10.01.

Ana Dulce Félix começou a treinar atletismo com 12 anos de idade no ACR Conde. Mais tarde, segue para o Vizela, em 1999, quando começa a levar o desporto mais a sério. Foi quando decidiu deixar a fábrica para se dedicar inteiramente ao atletismo que se mudou para o SC Braga. Em 2013 torna-se atleta do Benfica. Hoje corre e torce pelo mesmo clube. Afirma que desde então muita coisa mudou na sua carreira. Para além de ter mais mediatismo dos feitos da sua carreira, tem todas as condições que precisa para o atletismo, desde a clínica do clube até aos fisioterapeutas, nutricionista e psicólogo.

Agora as maratonas ficam para o próximo ano, durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro – 2016. A atleta ainda não tem a certeza de que poderá participar na prova, mas tem o mínimo de 2.25,15 horas que lhe deverá assegurar um dos três lugares disponíveis para seguir para o Brasil. Apesar de ter também os mínimos para correr os 10.000 metros, o grande objetivo é mesmo correr a maratona olímpica. Aos 33 anos, Dulce ainda sonha com as Olimpíadas de Tóquio 2020. Com a força que a carateriza anuncia que continuará enquanto se sentir capaz.

Por: Catarina Castro Abreu

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