ENTENDER O TAEKWONDO

Rui Bragança é uma seta apontada às medalhas nos JO Rio de Janeiro 2016, numa das modalidades olímpicas menos conhecidas em Portugal.

 

Nem sempre é fácil compreender a competição de alguns desportos menos comuns entre nós. Este obstáculo acaba por ser um entrave à apreciação e faz com que as pessoas se afastem. Em Portugal, desportos como o judo, o rugby, a esgrima, o taekwondo, e outros, sofrem deste problema. A televisão que poderia ter aqui um papel muito importante, raramente faz transmissões destes desportos, limita-se às grandes competições mundiais. Mesmo quando estas competições acontecem, a transmissão raramente é acompanhada de explicações que possam elevar a cultura desportiva dos espetadores. A imprensa escrita também não tem feito aqui o seu papel, por isso, e porque Guimarães já tem um atleta de taekwondo nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, explicamos aqui como funciona esta modalidade.

O taekwondo começou por ser uma arte marcial coreana com raízes milenares. Na Coreia é desporto nacional, praticado em escolas, universidade e pelas forças militares. Depois da guerra da Coreia, nos anos 50 do século passado, a modalidade saiu da península coreana e espalhou-se pelo mundo. O desenvolvimento da modalidade acompanhou o desenvolvimento económico do próprio país, ganhando cada vez mais praticantes. O desenvolvimento de proteções e de um conjunto de regras que permitem um combate espetacular, mas bastante seguro, foi determinante para a modalidade ser reconhecida como desporto moderno. Taekwondo e judo são as únicas artes marciais inseridas no programa olímpico.

Taekwondo e judo são as únicas artes marciais inseridas no programa olímpico

No taekwondo é possível fazer técnicas de pernas acima da linha da cintura e técnicas de braços ao tronco. Esta especial relevância dada às técnicas de pernas é uma das singularidades da modalidade que sempre se distinguiu pelos pontapés, além disso, evita as técnicas de braços à cara, que são potencialmente muito lesivas. É verdade que um pontapé na cabeça pode fazer um dano muito elevado, porém, a probabilidade de uma técnica destas ser feita com total eficácia é baixa. Se juntarmos isto à proteção dada pelo capacete, o taekwondo torna-se um desporto bastante seguro.

Os lutadores vestem um fato branco e usam colete, capacete, proteções de antebraços, canelas e zonas genitais. Vai ser fácil distinguir o Rui Bragança nos combates, bastando para tal ver qual é a cor que lhe está atribuída (azul ou vermelho), e depois basta olhar para o colete ou para o capacete. Normalmente as televisões colocam o nome e a cor no canto do monitor, onde também vão surgindo os pontos. O taekwondo é um combate muito rápido, principalmente nos escalões de peso mais baixos (Rui Bragança combate em -58 Kg), isto torna a visualização das técnicas, em algumas situações, muito difícil. Para resolver este problema a modalidade desenvolveu sensores electrónicos que, colocados no colete, assinalam os pontos em tempo real. O capacete não tem sensores e os pontos nesta zona são marcados pelos juízes com marcadores eletrónicos.

O sistema de pontuação premeia as técnicas mais espetaculares. Técnicas ao tronco valem um ponto, técnicas à cabeça valem 3 pontos, rotativos ao tronco também valem 3 pontos e um rotativo à cabeça vale 4 pontos. Os combates realizam-se em três assaltos de 2 minutos e no intervalo de cada assalto vai poder ver o Rui Bragança junto do seu treinador, Hugo Serrão. A competição é feita em sistema eliminatório com repescagem.

A competição olímpica de taekwondo realiza-se, no Rio de Janeiro, entre 17 e 20 de Agosto de 2016, Portugal já tem 32 atletas apurados, ou com mínimos, em diversas modalidades, entre os quais o vimaranense Rui Bragança. Pelos resultados que tem conseguido, Rui tem uma real possibilidade de trazer uma medalha para Guimarães, por isso vamos manter-nos atentos a este atleta.

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