ÉPOCA DA PÁSCOA PASSA AO LADO DO COMÉRCIO TRADICIONAL

A poucos dias da Páscoa, o comércio tradicional em Guimarães não está muito ativo, em comparação a anos anteriores. Quem o diz são os comerciantes da rua de Santo António, que partilham todos da mesma opinião: “a Páscoa não existe, pelo menos aqui”.

As compras para a Páscoa já estão na reta final e era de esperar que as lojas estivessem movimentadas. Faça chuva ou faça sol, a rua de Santo António já é conhecida entre os seus comerciantes como “uma rua fantasma”. Numa semana onde o comércio deveria lucrar um pouco mais que o habitual, o Mais Guimarães conversou com quem trabalha no comércio tradicional vimaranense sobre o decorrer do negócio de rua. Dos seis lojistas entrevistados, todos partilham da mesma opinião: “a Páscoa não existe, pelo menos aqui”. “Isto está muito mau”, começa Ana Gomes, lojista na Óptica de Guimarães. “Quase que não andam pessoas na rua, nem faz lembrar a Páscoa. Chega ao fim do dia e estamos fartos de estar presos, porque não é nada como há uns anos”. Para Ana Gomes, os motivos parecem ser muito claros: “desde que saíram os correios e o mercado isto ficou um caos. Esta rua tinha muito movimento, mas agora dizemos que é uma rua fantasma”. Paula Antunes, proprietária da loja de malas Valígia, está de acordo com esta opinião. No entanto, vai mais longe na lista de razões para a fraca adesão ao comércio tradicional. “O principal motivo é a falta de dinheiro das pessoas e dos vários sítios onde têm para o gastar. As pessoas de Guimarães precisavam de algo que as chamasse para as ruas, porque os centros comerciais são mais cómodos”. Pedro Pacheco, da Ourivesaria Pacheco, vê os centros comerciais como os principais adversários. “Quando temos um ‘shopping’ a dez minutos a pé do centro da cidade, fica difícil para as lojas de rua”. Porém, o ourives considera que a falta de estacionamento no local é o que está a complicar o negócio. “As pessoas não conseguem chegar à baixa da cidade por falta de estacionamento. As pessoas têm vontade de vir para Guimarães, mas não têm onde estacionar o carro. Nós vemos os nossos rivais, que são os centros comerciais, que têm estacionamento próprio e dificultam-nos a vida por isso”. Por outro lado, uma comerciante, que não se quis identificar, não culpa os centros comerciais. “Não acho que tenha a ver com os ‘shoppings’, tem a ver com a Câmara e com a ACIG pois são pouco cuidadosos com o comércio tradicional. Evoluiu-se muito pouco, porque vejo lojas que se mantêm iguais há 20 anos. Quem tem as lojas não as cuida e a Associação Comercial não olha para as lojas, nem para o comércio de rua com olhos de ver”. A lojista vai mais longe, comparando Guimarães com a cidade vizinha. “Sou apologista de cortar o trânsito, tal como em Braga. Devemos olhar para as cidades que evoluíram para contribuir para o comércio tradicional e Guimarães não o tem feito”. Para a proprietária da Loja do Trevo, uma florista que não vê movimento numa época onde se compram flores e ramos, a solução passa por algo que diz ter sido prometido pela Câmara Municipal. “O nosso presidente da Câmara prometeu que ia fazer alguma coisa por este centro (centro comercial Santo António), que ia passar para aqui a loja do cidadão. Este edifício faz ligação com a rua Gil Vicente, o que só iria beneficiar o comércio tradicional. Acho que a loja do cidadão era uma boa solução, porque iria obrigar as pessoas a passar cá”. O apelo à ajuda da Câmara Municipal parece ser comum a todos os comerciantes. O senhor Faria, da Casa Faria, afirma que a ajuda da Câmara apenas está direcionada para a restauração. “A restauração é boa, mas nós também fazemos parte da rua e estamos a ser esquecidos,a Câmara deveria fazer mais”. Para quem trabalha nesta casa, a solução é muito simples: “trazer animação para a rua, porque senão os vimaranenses não se lembram do centro da cidade”. Iniciativas que atraiam possíveis consumidores para o comércio local é o que todos consideram essencial. Um dos exemplos mais mencionados é o Largo do Toural, um espaço que consideram grande para eventos, mas que está sempre vazio. Mesmo reconhecendo o vazio nas lojas, os comerciantes da rua de Santo António sentem que “ainda há esperança” para os seus negócios. Apenas acreditam que as medidas a tomar já não passam pelas suas mãos e pedem que a Câmara e que a ACIG os ajude mais.

ACIG justifica a situação do comércio de rua com o baixo poder de compra da população.
Depois de recolher as declarações dos comerciantes, o Mais Guimarães falou com o presidente da Associação Comercial e Industrial de Guimarães. Manuel Martins reconhece que “existem muitos comerciantes, não ligados ao turismo, que estão numa situação de sobrevivência”. “Sabemos que quanto mais animação comercial houver melhor será o clima do comércio tradicional, mas não há iniciativas milagrosas”. O presidente da ACIG afirma que “a situação do comércio nesta Páscoa enquadra-se na mesma situação destes últimos dez anos”. De acordo com Manuel Martins, o motivo principal da fraca adesão à compra nas ruas deve-se ao baixo poder de compra. Segundo o próprio, as estatísticas nacionais revelam que o comércio cresceu 3%, no ano passado, “mas não significa que o mesmo tenha acontecido em Guimarães”. O presidente da ACIG reconhece que a associação “tem de ser proativa, mas a situação não é fácil e as soluções não são tão simples”. Manuel Martins acredita que um trabalho em conjunto da ACIG com os comerciantes vimaranenses poderá resultar em melhorias significativas, caso haja compatibilidade com a Câmara Municipal, mas sublinha que “não há milagres” e que o crescimento terá de ser gradual.

 

Fotografia: DR

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