EUROPEIAS: UM VOTO CONSCIENTE

Por Tiago Laranjeiro

Tinha pensado esta semana escrever sobre as eleições europeias, e sobre a lista do PSD em particular. No entanto, a crise política nacional retira alguma pertinência a qualquer outra reflexão sobre o voto a 26 de Maio. Retira?

Nos últimos dias assistimos a uma perfeita encenação política, digna talvez de um episódio de House of Cards (para quem seguiu a série, lembram-se do episódio de Marty Spinella, representante sindical dos professores?). No entretanto, o Governo deixou cair o que assumiu repetidamente, e lança uma enorme operação de spin a lembrar o “melhor” dos Governos de Sócrates, enquanto tenta virar o tabuleiro ao contrário e pretende pintar de fraqueza as principais qualidades do líder da oposição. Como cinicamente lembrou Marques Mendes, António Costa é um “profissionalão” da política – no que de pior tem esta aceção do termo, digo eu.

Daí que me pareça interessante focar-me nos detalhes que fazem a diferença na escolha que temos pela frente, mais próxima de nós. Estamos a duas semanas e meia de escolhermos os nossos representantes no Parlamento Europeu para os próximos cinco anos.

E, com o circo montado na política nacional, que opções temos pela frente? Existem candidatos em posição elegível que possam fazer a diferença para nós em particular? A meu ver, sim.

Não falo de Paulo Rangel, nem de Lídia Pereira (uma jovem com um percurso interessantíssimo, feito à margem dos tradicionais percursos políticos, com uma sólida carreira internacional e reconhecida pelos seus pares pela sua invulgar capacidade – que representa da parte do PSD uma verdadeira aposta na renovação de quadros). Falo de José Manuel Fernandes, terceiro da lista do PSD.

Minhoto, ex-autarca de Vila Verde, que fez parte do seu percurso universitário aqui em Guimarães, é deputado ao Parlamento Europeu desde 2009. Nos dois mandatos que tem, distinguiu-se pela sua capacidade de trabalho em dossiers-chave, do orçamento e fundos da União Europeia, liderando o Partido Popular Europeu nessa comissão. O seu trabalho é reconhecido por sucessivas entidades que avaliam o desempenho dos deputados europeus, que sempre o colocam no topo dos resultados de trabalho e influência entre os portugueses em Bruxelas. Ao mesmo tempo, tem uma qualidade rara entre eleitos – parafraseando Kipling, consegue “caminhar com reis, sem nunca perder o toque comum”.

Teve eco em Portugal uma famosa intervenção sua em defesa do pica-no-chão e das tradições gastronómicas regionais da devoradora fúria legislativa europeia. Uma intervenção que é paradigmática da sua forma de estar. É verdadeiramente o deputado do Minho, com presença constante no terreno e apoio que dá em diversos temas a autarcas e representantes de diversos quadrantes políticos. De Bruxelas a Moure, é vê-lo trocar o púlpito e o Excel pelo acordeão – de que retira genuíno prazer. E estar em ambos com igual naturalidade.  Por Guimarães, o seu trabalho e percurso foram recentemente alvo de reconhecimento público, no lançamento de uma publicação da sua lavra, que contou com apresentação do comissário Carlos Moedas e do insuspeito cientista Rui Reis.

Num tempo de encenações, cinismos e calculismos, de descréditos e (des)ilusões, a escolha das pessoas em política importa – e o que isso significa de prioridades. É para mim reconfortante poder escolher José Manuel Fernandes, com a certeza que terei nele um representante da minha região na União Europeia. De resto, para representação de proximidade restam-nos como opções Nuno Melo (!), o 10º lugar do PS para uma desconhecida académica e o quarto da CDU, para a nossa Mariana Silva (provavelmente tão elegível como o do PS). Prioridades.

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