Fest’In Folk 2026 fecha edição marcada pela partilha cultural e pela projeção internacional
A 13.ª edição do Fest’In Folk Corredoura - O Mundo Dança em Guimarães chegou ao fim depois de uma semana em que Guimarães voltou a ser ponto de encontro entre diferentes povos, culturas e tradições. Com grupos de sete países e cerca de 150 participantes internacionais, o festival combinou espetáculos, intercâmbio cultural, iniciativas comunitárias e momentos de convívio, reforçando a sua dimensão internacional.

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães
A edição de 2026 teve ainda um significado especial por assinalar os 70 anos do Grupo Folclórico da Corredoura, associação responsável pela organização do evento e que tem colocado o nome de Guimarães no circuito internacional do folclore.
Ao longo do festival, as delegações da Alemanha, Argélia, Brasil, Canadá, Chile, Montenegro e Portugal participaram num programa que foi muito além das três galas realizadas no Campo de São Mamede.
Da rua ao palco, Guimarães recebeu o mundo
Um dos momentos de maior visibilidade aconteceu na sexta-feira, com o desfile dos grupos pelo centro histórico, levando cor, música, dança e trajes tradicionais às ruas da cidade. O percurso terminou com uma apresentação no Largo da Oliveira, permitindo a vimaranenses e visitantes um primeiro contacto com as diferentes culturas presentes no festival.
Antes disso, as delegações tinham sido recebidas nos Paços do Concelho pela vereadora da Cultura, Isabel Ferreira, num momento institucional que assinalou as boas-vindas de Guimarães aos participantes.
O programa incluiu ainda a exposição “O Mundo Traja em Guimarães”, no Paço dos Duques de Bragança, workshops, residências artísticas e atuações em instituições sociais do concelho, aproximando os grupos internacionais de diferentes públicos.
Três noites de tradição em São Mamede
O Campo de São Mamede foi o grande palco do festival, recebendo três noites distintas. A Gala de Abertura, na sexta-feira, assinalou os 70 anos do Grupo Folclórico da Corredoura e apresentou a Orquestra Internacional do Fest’In Folk, formada por músicos dos países participantes, num dos momentos mais inovadores deste festival.
No sábado, a Gala de Folclore Nacional colocou em destaque cinco grupos portugueses, Grupo de Folclore das Terras da Nóbrega, Rancho Folclórico da Fajarda, Grupo Folclórico da Vila Verde, Rancho Típico de S. Mamede de Infesta e Grupo Folclórico da Corredoura, numa noite dedicada às diferentes expressões da tradição popular portuguesa.
O encerramento aconteceu no domingo, com a Gala Internacional e o ato de clausura, reunindo os grupos estrangeiros numa última celebração da diversidade cultural.
Uma semana de convivência entre culturas
Para além dos momentos públicos, uma parte importante do festival aconteceu nos bastidores. Os grupos ficaram instalados na Escola Secundária Martins Sarmento, parceiro da organização, onde realizaram refeições, residências artísticas e momentos de convívio.
Para Henrique Macedo, presidente do Grupo Folclórico da Corredoura, esta convivência é uma das dimensões mais importantes do Fest’In Folk.
A presença dos grupos durante mais de uma semana teve também impacto na dinâmica local, com cerca de 150 participantes internacionais a permanecerem no concelho e a contactarem diretamente com a comunidade, o comércio e o património vimaranense.
Certificação internacional reforça estatuto
O Fest’In Folk voltou a apresentar-se com a certificação do CIOFF Internacional, organização com relações consultivas formais com a UNESCO. Para a organização, esta certificação representa uma garantia de qualidade, quer na seleção dos grupos, quer na organização e programação do festival.
Henrique Macedo destacou precisamente esse reconhecimento como um dos fatores que permite ao evento afirmar-se entre os festivais internacionais de folclore de referência em Portugal e projetar o nome de Guimarães além-fronteiras.
Também a vereadora da Cultura, Isabel Ferreira, classificou o Fest’In Folk como uma referência na promoção da cultura tradicional e da identidade do território, salientando a capacidade do festival para criar pontes entre povos através da música, da dança e das tradições.
A despedida com uma mensagem de união
O último dia ficou ainda marcado pela Celebração Ecuménica na Igreja de São Francisco, que reuniu os grupos participantes numa mensagem de fraternidade e paz, antes da última gala no Campo de São Mamede. A iniciativa encerrou uma semana em que as diferenças culturais foram apresentadas não como barreiras, mas como oportunidades de encontro.
Ao completar 70 anos de história, o Grupo Folclórico da Corredoura deixa assim mais uma edição do Fest’In Folk marcada pela internacionalização, pelo voluntariado e pela participação da comunidade. Um festival que, mais do que trazer grupos estrangeiros a Guimarães, procura criar uma verdadeira experiência de intercâmbio, permitindo que o mundo dance na Cidade Berço e que a cultura vimaranense viaje também para o mundo.





