FLÁVIA RIBEIRO: ATLETA FEMININA DO ANO 2016

Quando a mãe a inscreveu no karaté aos seis anos, no ATL, não fazia ideia do percurso que a Flávia havia de traçar nesta modalidade. Hoje, aos 18 anos, está às portas do campeonato do mundo da modalidade é campeã nacional em cadetes e seniores. Começa este mês o curso superior de Desporto.

Flávia é filha única: a mãe trabalha numa fábrica o pai é encarregado de obras de um grande grupo retalhista nacional. “Se não fosse o que ele ganha não era possível a Flávia participar nas competições e nos treinos”, diz a mãe, aludindo ao facto de a federação não comparticipar as viagens para treinos, que são quase sempre longe e, mesmo quando se desloca a competições internacionais, tem de ser a família e a associação a comparticipar. “Há outros por ai que também têm valor, mas não podem”, acrescenta a mãe. “O prémio veio mesmo a calhar, vou investi-lo nestas
idas ao estrangeiro. Uma parte já foi para a ida a Toledo e se for ao Campeonato do Mundo vou precisar de gastar mais algum”, explica Flávia, referindo- se aos 2.500 euros do prémio de atleta feminina do ano, atribuído pela Câmara Municipal de Guimarães, na Gala do Desporto 2016.
A luta no karaté vai muito para além do tatami. Nos primeiros seis anos de treino, até aos 12, Flávia não fazia competição, mas a partir do momento em que começou a dedicar-se á vertente mais desportiva da modalidade, depressa percebeu que não havia apoios. “Nos primeiros tempos não ganhava nada”, diz por entre um sorriso.
Então onde é que foste buscar forças para continuar? “Aos pais que sempre me incentivaram, apesar de criticarem a falta de apoios, ao mestre e a toda a equipa”. Flávia não é um daqueles talentos naturais que ganha tudo aquilo em que participa desde a primeira vez, é produto do trabalho, do seu e do mestre Filipe Ferreira. O regime de treinos é quase profissional, de segunda a sábado treina diariamente e quando as competições apertam há dias com dois
treinos. Foi assim que a menina que começou titubeante chegou a campeã nacional de cadetes e agora de seniores.

O karaté do Aquabrito treina numa sala dedicada à modalidade, no Centro Social de Brito. “Muitas atletas perdem-se nesta transição para a universidade e eu espero não ser uma delas” Flávia Ribeiro
“É uma boa sala que temos só para nós e em que podemos ter o tatami sempre montado”, diz o mestre enquanto deita o olho aos pares que evoluem na sala. Um ataca o outro recua. Para quem vê de fora parece bem, para o mestre Filipe Ferreira não chega. “Treina como luta”, repete várias vezes e exemplifica. Voltam todos ao trabalho, agora há
outra agressividade, os punhos param a milímetros da face, os pés rasam a cabeça, tudo a alta velocidade.

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Filipa acabou de chegar do Campeonato do Mediterrâneo, em Toledo, onde ajudou a equipa portuguesa a alcançar o terceiro lugar por equipas, com vitórias frente a Marrocos e à Sérvia  e uma derrota frente à poderosa França. Com o Campeonato do Mundo às portas, em outubro, na Áustria, apesar de ainda não ter saído a convocatória, Flávia
não pode parar de treinar. “Ir ao mundial seria a realização de um sonho, sem dúvida”, confessa com um olhar sonhador, como se aquilo que tem alcançado não fosse ainda bem real.
Tal como muitos outros atletas de valor, Flávia é boa aluna.
Acredita que o karaté a ajuda a concentrar-se e que a exigência dos treinos a ensinou a gerir melhor os horários para nunca faltar tempo para nada. Os treinos no Centro Social de Brito vão passar a ser só ao fim de semana, com a entrada para o curso de Desporto, na Universidade de Trás os Montes, durante a semana os treinos terão de prosseguir por lá. Ainda não sabe bem como é que vai fazer, nem o que vai encontrar, o certo é que para treinar ao nível a que já se encontra precisa de parceiros treino com alguma experiência. “Muitos atletas perdem-se nesta transição para a universidade e eu espero não ser uma delas”, vai dizendo a karateca que confessa que a escolha do curso teve muito a ver com a modalidade que pratica.
A mãe vem buscá-la já noite para o último jantar em casa antes da partida para Vila Real, amanhã começam as aulas e uma nova vida.

 

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