FRANCISCO NEVES

Francisco Neves
Nasceu a 31 de dezembro de 1968
Designer de Interiores – Diretor Criativo da “5 Janelas”

Não há como esconder: Francisco Neves, designer, é vaidoso e seguro de si quando fala da sua arte de conceber espaços de vivência interior. Fá-lo com a certeza dos entendidos mantendo abertura para as dúvidas. Expressa o seu pensamento explicando e persuadindo. É consequente sem ser definitivo deixando margem para as ideias contrárias. Apesar de assoberbado de trabalho, não denota nervosismo. Aos 46 anos a serenidade parece ser uma receita que o acompanha no seu já longo percurso profissional.

Conceber soluções que as pessoas sequer imaginavam existir, convencê-las a partir do abstrato de um desenho e levá-las ao concreto em forma de surpresa, é a poção mágica de Francisco. Descobrir o espaço que habita no desejo de cada é o desvendar um mistério irrepetível. Como se chega até esse ponto? Para começar nunca viveu a angústia do que ser quando chegasse a adulto. A profissão nunca lhe incomodou a existência. Nem sabe como “entrou na vida do design de interiores. Fui fazendo o caminho” afirma.

Mas lembra-se de sinais. Filho de pai jardineiro e mãe doméstica incumbia aos dez irmãos a tarefa de arrumar a casa. Na sua vez os objetos adquiriam uma outra graça na arrumação. Na Secundária Martins Sarmento Francisco apercebeu-se de outras formas de aprender. Perceber a música, a fotografia, a imagem despertavam-lhe a criatividade orientando-o para as coisas do olhar e ver. Como se fosse um antropólogo, obterá uma aprendizagem a partir da observação. A imaginação faz o resto. Quando arrendou o seu primeiro espaço no gaveto entre as Ruas Gil Vicente e Francisco Agra, olhou e viu: “5 janelas! Estava encontrado o nome da empresa”. Mais tarde acrescentaria à frase a imagem de 5 cadeiras diferentes. Porquê? “Porque assim todos perguntam porquê!”. Faz sentido.

A ideia de “interior”, afirma Francisco, domina a atualidade ao contrário dos tempos do “decorador”. “As pessoas querem um espaço que expresse a sua individualidade”, o que impõe “compreensão para conciliar o espaço com a necessidade e a intimidade”. Acontece muitas vezes ter de lidar com “ideias” preconcebidas o que obriga à abordagem do cliente para soluções consentâneas. Há também o oposto. A circunstância em que a pessoa entrega a chave “e só o visita no dia em que fica pronto a habitar”. Nestes casos já existe confiança mas a satisfação é sempre surpreendente. É como se fosse a primeira vez para todas as partes.

Contudo reconhece que em Portugal a noção de que a criatividade é pouco valorizada. Francisco lembra-se de uma circunstância em que, perante um orçamento para uma área alimentar, recebeu como resposta “mas esse valor é tanto quanto vou gastar em frigoríficos!”. A malha mental que valoriza o material é a mesma que desvaloriza o imaterial. Desafortunadamente para estes, a criatividade continua a ser percebida “não como uma competência especializada mas como um acidente cerebral”, afirma o designer.

Ao fim de 20 anos de carreira, no ano de 2013, Francisco Neves viu o seu trabalho reconhecido no número 17 da Andrew Martin Interior Design Review, o anuário mundial tido como a bíblia da área. A revista credita-lhe um trabalho espalhado por vários países, sempre “surpreendente”, concebido com “dinâmica” e atenção aos pormenores numa abordagem “cosmopolita” cheia de “energia”. A inclusão do designer criativo vimaranense na opus magnun dos profissionais na arte de dar sentido aos espaços, voltou a ocorrer na edição de 2015. No contexto profissional é um grande passo para Francisco Neves. Na sua condição humana é mais um passo na sua longa caminhada.

Por: Esser Jorge Silva

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