“GUIMARÃES ACOLHE”

por MARCELA MAIA
Técnica de relações internacionais na Universidade do Minho

Viver num país onde a realidade da guerra é inexistente, estar numa cidade onde o som do silêncio não é desolador, mas sim apaziguador, ter uma casa onde nos sintamos seguros e sair de casa sem ter medo de o fazer são realidades presentes no nosso quotidiano.

A ideia de vermos estas realidades alteradas não cruza o nosso imaginário porque partimos do principio que vivemos num Estado pacifico onde os cenários de guerra são relativamente improváveis … mas e se assim não fosse? E se do nada víssemos a nossa querida cidade ser destruída por armas de destruição massiva que em nada se assemelhariam às armas utilizadas por D. Afonso Henriques? E se deixássemos de ter um lar onde nos sentíssemos seguros e passássemos a vaguear pelas ruínas daquilo em que a nossa cidade se havia tornado? E se víssemos a nossa vida a ruir a cada bombardeamento ou tiroteio? Estas ideias, assustadoras para nós, são infelizmente a realidade de um número infinitamente grande de pessoas.

Não venho aqui perguntar o que cada um de nós levaria numa mochila se fosse um refugiado, venho só relembrar o quão afortunados somos por nem sequer termos a necessidade de equacionar a preparação dessa mochila.

Regularmente, tenho a felicidade de me cruzar com algumas pessoas com histórias de sobrevivência incríveis, com um sorriso mais brilhante e com mais coragem do que eu possa um dia vir a ter. Essas pessoas, tiveram a vida virada e revirada de pernas para o ar e continuam de pés bem assentes na terra.

O Município de Guimarães, cooperando com o Conselho Português para os Refugiados e várias instituições que integram a Rede Social de Guimarães propôs-se a executar o “Plano de Ação do Município de Guimarães para o Acolhimento de Pessoas com Necessidade de Proteção Internacional”, também conhecido como “Guimarães Acolhe”, onde se dispõe a acolher um total de 35 pessoas das quase 5 mil que Portugal assumiu auxiliar.

 

O Plano aqui merecidamente referido, tem como objetivos:

  • “Criar condições para o acolhimento e integração de pessoas com necessidades de proteção, … provenientes de países terceiros e recolocados provenientes de outros Estados Membros da União Europeia, proporcionando-lhes condições de bem-estar e de segurança, …”;
  • “Planear e organizar o processo de acolhimento ao nível local, tornando-o célere, eficaz e convergente, garantido uma otimização dos recursos e uma resposta integrada às necessidades da população acima referida.”;
  • “Salvaguardar no processo de acolhimento, … , o respeito pela sua cultura, pela sua individualidade e autonomia, tornando-o num processo que promove e preserva a sua dignidade enquanto cidadãos.”;
  • “Tornar o Município de Guimarães numa referencia na assunção de boas práticas no processo de acolhimento e de integração de pessoas com necessidades de proteção internacional.”

Este Plano deve, impreterivelmente, tornar-se literal, deixando as palavras que constam nas suas páginas ganhar vida através das ações de cada um de nós.

Guimarães acolhe, mas cabe a cada cidadão apoiar a integração de todos aqueles que não vivem uma realidade diária igual à nossa.

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