Indústria – O Futuro Vence-se agora!

Por Ricardo Costa,
Vereador responsável pelo Desenvolvimento Económico da Câmara Municipal de Guimarães

Vivemos tempos de grande indefinição e de insegurança a vários níveis. Desde logo na definição do caminho que devemos percorrer. Que fatores exógenos e endógenos deveremos ter em conta no futuro? Que economia encontraremos no pós-pandemia? Que mudanças conjunturais e estruturais encontraremos? Que variáveis deveremos ter em conta para a redefinição da estratégia? Que fatores políticos, sociais, culturais e tecnológicos deveremos levar em linha de conta para a definição do novo caminho a percorrer? Como devemos avaliar as Forças de Porter tendo em conta esta turbulência? Que barreiras à entrada? Que produtos substitutos?

Que dados devemos ter em conta para conseguirmos uma análise swot fidedigna, no que diz respeito às suas ameaças e oportunidades?

Todas estas perguntas terão seguramente respostas diferentes, dependendo do analista e do seu nível de conhecimento, mas há uma certeza: a economia pós-pandemia não será seguramente igual.

Se as respostas às perguntas podem ser diferentes, a realidade que se impõem é seguramente a mesma. A Personalização da economia, a digitalização da economia e o E-commerce, são realidades e contextos que fazem parte integrante do ecossistema económico que encontramos.

A Europa apresenta hoje duas tendências que têm uma interdependência natural e que devem ser exploradas a nível nacional. Uma é a questão da resiliência e a outra é a do desenvolvimento regional. Por um lado, O desafio de tornar a indústria mais resiliente e por outro o de a tornar mais próxima do consumidor. Neste contexto, existem três características que podem ditar a competitividade da indústria e que se encontram diretamente ligadas: o elevado valor acrescentado, a resiliência e a sustentabilidade.

Portugal deve aproveitar as oportunidades decorrentes das tendências de crescimento da fabricação flexível, da customização, promover a integração de soluções e a resposta rápida para se diferenciar, desenvolvendo simbioses entre materiais e tecnologias, fazendo uso das suas fortes e diversificadas competências em engenharia, e criar produtos/soluções de alto valor acrescentado, focando-se na diversidade, com elevada variedade e reduzido volume. Para tal, é exigido um esforço de multidisciplinaridade, formação e de trabalho em rede.

Pela dimensão e características das empresas portuguesas, existem grandes oportunidades e potencial competitivo em equipamentos para pequenas séries e sistemas customizados (automação flexível, robótica, sensores, inteligência nos equipamentos), com elevada capacidade de incorporação das tecnologias de transformação digital nos equipamentos.

As empresas portuguesas devem apostar numa abordagem de empreendedorismo tecnológico e mais qualificado, em que as tecnologias de transformação digital são essenciais. É fundamental uma aposta no conhecimento para a produção de células produtivas e integração de tecnologias para a produção customizada e flexível, a custos de produção em massa.

O edificado do estado/autarquias locais, ao serviço das empresas, deverá congregar um conjunto de eixos que se articulam com as linhas condutoras essenciais de projetos de inovação para a Indústria de todo país, não esquecendo os recursos endógenos de cada distrito/região. Neste sentido e complementarmente aos serviços a instalar, esta infraestrutura deverá igualmente ser capaz de: agregar e promover o tecido económico dos concelhos no panorama nacional e internacional; potenciar o turismo cultural e industrial dos territórios; associar a imagem de dinamismo industrial à história das cidades; reforçar e promover a atratividade dos territórios através da difusão dos seus produtos, tradições e atividades culturais; elevar a imagem de marca dos concelhos a um nível superior, numa constante busca pela excelência; intensificar a atratividade dos municípios na captação de novos investimentos nacionais e estrangeiros; estimular o empreendedorismo empresarial já existente e promover a responsabilidade social empresarial.

Considerando as premissas dos projetos de Inovação para a Indústria e competências, os eixos orientadores das academias digitais, deverão estabelecer-se em quatro vetores estratégicos que se assumem como pilares fundamentais de capacitação das empresas da região:

Ciência e Captação

Encarar a ciência e tecnologia, a capacitação de recursos humanos, Investimento produtivo e fatores dinâmicos de competitividade, garantindo um impacto significativo, quer social quer económico, para as empresas e para as regiões.

HUB’s economia circular e economia azul

Este hub deverá integrar as componentes relativas à economia circular e azul, considerando a introdução de conceitos que visam substituir os conceitos tradicionais de fim-de-vida por conceitos inovadores, sustentáveis e estratégicos assentes, a montante, na mitigação do desperdício e otimização de processos e, a jusante, em processos de redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia.

HUB’s captação de recursos humanos

Este vetor permitirá o investimento na reconversão e qualificação (upskilling e reskilling) do potencial humano do ecossistema regional, de modo a desenvolver competências e transferir conhecimento técnico especializado. Neste sentido este hub pretende prever a criação de variados programas de formação complementar específica em diferentes níveis (do técnico-profissional ao graduado), a intervenção ao nível da pós-graduação com a criação de novos programas em áreas relevantes e a criação de programas de reconversão, no sentido de dar novas competências técnicas a graduados que delas necessitem, por forma a poderem ser facilmente incluídos nestas novas problemáticas dos novos desafios industriais e sociais.

Espaços de investimento produtivo

Este espaço prevê a exploração e implementação de programas de investimentos produtivos, permitindo às empresas investimentos para a modernização e adequação das suas infraestruturas e capacidades produtivas, bem como o investimento em novos equipamentos e tecnologias para a industrialização dos produtos e processos resultantes dos projetos de I&D a promover.

Espaços dinâmicos de inovação competitividade

Pretendem-se infraestruturas que promovam a inovação e o desenvolvimento da indústria têxtil e do vestuário, calçado, agroalimentar, cutelaria, metalomecânica e outros setores industriais de referência dos concelhos industriais, que visem apoiar o desenvolvimento das capacidades técnicas e tecnológicas destas indústrias, através do fomento e da difusão da inovação, da promoção da melhoria da qualidade e do suporte instrumental à definição de políticas industriais para o setor (i.e CITEVE, CEIIA, INL, CTCP, APICAPS, PIEP, CCG, entre outros).

A Academia deverá integrar também espaços inovadores para incubação de novas empresas/industrias de elevado valor acrescentado que beneficiem de todo este ecossistema.

Em suma, devemos promover a criação de valor para preparar o futuro sem esquecer o presente, apostando em marcas e patentes, I& D com materialização na economia real, design e reforço de parcerias internacionais. A aposta na diferenciação da identidade de cada território permitirá a alavancagem da economia. O futuro vence-se agora!

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