IRREPETÍVEL?

por TORCATO RIBEIRO 

Dirigente Político do PCP

Realizaram-se no passado Domingo as eleições para a Assembleia da Republica. O PS foi o partido mais votado cabendo a António Costa encontrar apoios parlamentares que garantam a sustentabilidade do próximo governo.

Sobre as eleições propriamente ditas e os seus resultados, não houve nada de verdadeiramente inesperado. As sondagens atribuíam a vitória ao PS, a descida do PSD, a subida do BE e do PAN e a descida do CDS e da CDU. A grande incógnita seria a obtenção ou não da maioria absoluta para o PS, e também saber quem dos outros partidos ficaria representado na Assembleia da Republica. Só 3 foram contemplados com a eleição de um deputado: o Chega, a Iniciativa Liberal e o Livre. O PAN subiu de 1 para 4!
Quanto ao PS, obtendo um bom resultado, ficou aquém do que muitos, não o dizendo abertamente, desejavam: a maioria absoluta que lhe permitisse ficar com as mãos livres para governar como muito bem entendesse. Não vai ser assim e para governar o PS terá que encontrar apoios para o fazer. Desfez-se a altivez daqueles que diziam ou pensavam que “ uma maioria absoluta pode ter alguns inconvenientes mas fica muito mais barata que o preço a pagar por apoios da pequenada” (sic).

O PSD teve um mau resultado, perdendo 12 deputados e ficando muito abaixo do PS. As divisões internas e a contestação à liderança de Rui Rio, contribuíram para este mau resultado, embora não tão elevado como se anunciou, sendo decisivo na não obtenção da maioria absoluta do PS.

O CDS foi a surpresa da noite. Todos os indicadores diziam que a votação no CDS não seria boa mas o facto de na campanha Assunção Cristas ter uma cobertura mediática favorável, criou alguma expectativa sobre os resultados finais. Não foi assim e mais uma vez, já tinha acontecido com as europeias, o CDS foi bastante penalizado, perdendo 13 deputados, ficando apenas com 5. Pior, era difícil.

O BE cuja dinâmica de campanha mais uma vez contou com uma grande simpatia da comunicação social, foi aumentando as expectativas de um resultado histórico eleitoral. A realidade arrefeceu a euforia inicial depois de conhecido e analisado o resultado final. Manteve os 19 deputados, o que é bom, mas perdeu votos. Ultrapassar a actual fasquia, “mesmo com ajudas de custo” tornou-se tarefa mais difícil do que parecia.

A CDU não conseguiu reforçar a sua posição e viu reduzido o seu grupo parlamentar para 12 deputados, perdendo 5. No entanto ficou com deputados suficientes para – o BE está na mesma situação – viabilizar, se assim o entendesse, uma solução governativa com o PS.

Triste foi a não eleição da deputada Carla Cruz pelo distrito e Braga constituindo uma perda para a nossa região, para os trabalhadores e para os mais desfavorecidos. Não foi devidamente reconhecido todo o trabalho que a Carla Cruz desenvolveu enquanto deputada, pautando a sua intervenção por uma incansável acção de ligação à vida e ao quotidiano das nossas gentes, sempre preocupada e atenta aos seus problemas e procurando sempre as melhores soluções para a sua resolução!

Nota positiva para a Mariana Silva, deputada municipal vimaranense pela CDU, eleita para a Assembleia da Republica pelo Partido Ecologista Os Verdes. Com a sua eleição passam a ser 5 os vimaranenses com assento na AR! Parabéns e bom trabalho!

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