IVO MARTINS

Nome completo: Ivo Ângelo Andrade Martins
Nascimento: 31 de maio de 1952 , Santo Tirso, Portugal
Profissão: Administrador Hospitalar e Diretor Artístico do Guimarães Jazz

Encontrei o Ivo Martins no Café Concerto do Centro Cultural Vila Flor, a casa do jazz em Guimarães, desse evento que tem como cérebro um administrador hospitalar. Ao pensar na personagem que está por trás de um evento como o Guimarães Jazz adivinhamos uma pessoa telegénica que viaja pelo mundo para assistir a festivais do género, uma espécie de relações públicas da música. Social e sociável. Destruir preconceitos é preciso e este terminou na conversa com Ivo Martins.

O diretor artístico do Guimarães Jazz não gosta de viajar. Quer dizer, gosta de viajar mas não fisicamente. É nos livros e na música que expande o seu conhecimento, que se desloca no tempo e no espaço. Nasceu, cresceu e viveu sempre na mesma casa, em Santo Tirso. Estudou Direito em Coimbra, onde viveu o 25 de Abril, mas a advocacia era profissão que não combinava com a sua timidez. Especializou-se em Administração Hospitalar e desde 1978 que trabalha nesta área, atualmente no Hospital de Valongo.

A ligação de Ivo Martins com o Guimarães Jazz começou há 20 anos, quando “as pessoas do Convívio o convidaram a dirigir o festival”. “Não sei que tipo de informação tinham sobre mim. Um bocado surpreendentemente convidaram-me para fazer parte da comissão organizadora do Guimarães jazz”, conta. Ao tentar perceber a razão deste convite, que considera um privilégio, Ivo Martins recorda a sua vida de homem da rádio. Já passou por várias estações mas o programa foi sempre o mesmo: o Baile dos Bombeiros, a fazer lembrar “o ponto de encontro das pessoas, onde as raparigas conheciam os namorados”. É possível ouvi-lo entre as 22h00 e a meia-noite na Rádio Universitária do Minho.

Afirma ser “fácil” conciliar o seu dia-a-dia profissional com a organização do Guimarães Jazz. “Não tem nada que saber”. Afinal “há valores universais que se aplicam a tudo”. Começa a preparar o festival com um ano de antecedência. Ou dois, ou três ou dez anos. “Já começamos a pensar na edição do próximo ano, há grupos que esperamos anos para os conseguir trazer. O Brian Blade and The Fellowship Band é um projeto muito importante para trazer ao Guimarães Jazz mas foram precisos alguns anos, talvez dez anos”, lembra. Dá conta que a sua estratégia para preparar o festival passa por ouvir “muitas horas de música” e facilmente “identifica o que interessa”.

A música, essa, hoje chega-lhe via Spotify. A aplicação revolucionou-lhe a vida, “assim como o computador revolucionou a minha escrita, antes do computador escrevia na máquina e à mão. Fiz muitos programas de rádio escritos à mão”. A escrita e a leitura são-lhe essenciais para sobreviver. “Se estiver quatro dias sem ler e sem escrever, eu sei que estou a perder o meu tempo, preciso de ler muito e de ouvir muita música para produzir. Sem isso acho que morria, se me tirassem isso ficava tudo muito cinzento”.

O discurso de Ivo Martins sobre o Guimarães Jazz (a 24ª edição do festival terminou no último sábado, 14) é sempre pautado com palavras de gratidão: “É evidente que devo muito às pessoas de Guimarães porque tornaram possível o festival. São pessoas que conheço há 20 anos a quem devo muito, mesmo muito”.  “Há muitas coisas que acontecem que eu não as desejei, geralmente as melhores coisas são as coisas que não se desejam”, diz, e é assim com o Guimarães Jazz.

Por: Catarina Castro Abreu

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