Já chega de Trumps?

por José da Rocha e Costa

Ficámos a saber na passada semana que Donald Trump não será reconduzido a um segundo mandato na presidência dos Estados Unidos da América. A eleição que teve um número recorde de votantes, ficou também marcada pelo facto de uma grande percentagem dos votos ter sido feita por correspondência. Isso levou a que houvesse um atraso na contagem dos votos em alguns estados em que a lei determina que os votos só podem começar a ser contados depois do fecho das urnas, o que de impediu que os votos por correspondência que chegaram nas semanas anteriores à eleição fossem contados antecipadamente, por forma a agilizar o processo.

Sendo que os apoiantes de Trump ainda não acreditam totalmente no coronavírus ou nos efeitos que este pode ter, era de esperar, que a maior parte dos que votaram em Trump, o fizessem de forma presencial, o que de resto veio a acontecer. Por outro lado, os que votaram em Joe Biden, para evitar as filas e o contacto social desnecessário, que deve ser tido em conta em tempos de pandemia, votaram maioritariamente pelo correio. Isto fez com que, em estados como a Geórgia, Arizona, Filadélfia, entre outros, os primeiros votos a serem contados fossem maioritariamente destinados a Trump, uma vez que foram os votos efectuados presencialmente e os votos contados posteriormente, os tais votos por correspondência, fossem maioritariamente destinados a Biden.

Tudo isto já se esperava, assim como já se esperava que Trump, com a sua enorme consideração pelos factos e pela verdade em geral, aproveitasse estes factores para declarar vitória em estados em que ia à frente e dizer que se os votos por correspondência viessem a dar a vitória a Biden, é porque se tratava de uma fraude. Não deixa de ser irónico que o homem que disse desde sempre que os votos por correio davam espaço a fraudes e que garantiam pouca ou nenhuma segurança, tenha ele próprio escolhido votar por este método.

Trump já iniciou, entretanto, processos judiciais em alguns estados numa tentativa de impugnar o resultado das eleições, tendo os processos, em estados como Michigan ou a Geórgia, sido imediatamente rejeitados por falta de provas que apontem no sentido de fraude eleitoral. Se se trata simplesmente de mau perder, que já é característico em Donald Trump, ou se é a derradeira oportunidade de Trump lucrar mais alguns dólares através de donativos da sua base de apoio, só ele saberá. O que é certo, é que os dias de Donald Trump na Casa Branca estão contados e estes processos não devem alterar o desfecho das eleições.

Resta saber se este é o fim da carreira política de Trump. Aqueles que estão mais próximos do Presidente ainda em exercício garantem que não. Que Trump não vai desistir e que estará já a planear candidatar-se em 2024. Seja como for, há aqui um fenómeno maior que vale a pena seguir nos próximos tempos: se com a derrota de Trump, o “trumpismo” e esta forma de fazer política se tornará menos prevalente não só nos Estados Unidos, mas também no resto do mundo. Quer queiramos quer não, os Estados Unidos são um marco geodésico para todo o mundo, e a sua influência vai muito para além da cultura americana que já está disseminada por todos os cantos do globo. E a forma como Trump exerceu o seu mandato criou réplicas um pouco por toda a parte. Não precisamos de olhar para longe, aqui em Portugal temos o nosso “mini-trump” com as suas políticas anti-emigração e pró-descriminação, que acaba de formalizar o seu apoio à coligação de partidos de direita nos Açores.

Não vos sei dizer se Trump desparecerá, ou se as tendências xenófobas e autoritárias que ele representa se irão fazer sentir menos após a sua derrota, mas uma coisa é certa: a derrota de Trump vem trazer alguma esperança ao mundo e àqueles que acreditam na liberdade e na justiça. Vem mostrar que não vale tudo, e que a maioria das pessoas ainda acreditam que devemos ser governados pela decência e pelo desejo de justiça social.

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