JOANA PRATA

Nome completo: Maria Joana Machado Prata
Nascimento: 23 de setembro de 1964, Torre de Moncorvo, Portugal
Profissão: Administradora judicial de insolvências

Joana Prata é administradora judicial de insolvências. “Parece uma profissão muito feia, mas não é. Ajudamos muita gente”, atesta a também fundadora da Associação de Apoio à Criança (AAC) e mãe de duas meninas, de 16 e 10 anos. A dialética profissional e de voluntariado faz mover o seu dia-a-dia.

Não é de Guimarães, como muita gente pensa. Nasceu em Torre de Moncorvo. Mas podia ter sido noutra cidade qualquer. O pai, conservador e, mais tarde, advogado, deambulou com a família, “de Peniche a Torre de Moncorvo”, e foi nesse mapa que nasceram Joana e os sete irmãos.

Estudou na Universidade de Coimbra de 1982 a 1987 e, tal como manda a cartilha da cidade dos estudantes, “foi uma experiência marcante para a vida”. “A nossa personalidade fica marcada. É uma altura em que estamos a aprender tudo e a gente tem sede de conhecimento e de perceber o que é a vida”, sublinha, enquanto recorda um tempo de grande atividade associativa, em que se dava bem com “a malta das repúblicas”. Confessa que, no meio de tantos afazeres, “faltava o tempo para ir às aulas”.  Mas fez o curso no tempo normal, os cinco anos de Direito.

Coimbra ainda a prendeu outros cinco anos, em que estudou Ciências Documentais e trabalhou na biblioteca da Universidade. “Não queria vir parar ao escritório de advogados do papá [entretanto o pai começou a exercer advocacia em Paços de Ferreira]”. Só que a vida circunscrita aos livros não era para Joana e decide, então, dedicar-se à advocacia.

Chegou a Guimarães em 1994, quando os pais se fixaram em Lordelo, terra dos avós maternos. “Guimarães é a minha cidade, porque [eu, os meus irmãos e os meus pais] fomos perdendo raízes. Os meus irmãos enraizaram-se em Paços de Ferreira mas era uma sociedade fechada que não acolhia bem as pessoas de fora. Para Guimarães as pessoas de fora são como as de cá. Hoje é a minha cidade”, diz.

Desde 2003 que se estabeleceu como administradora judicial de insolvências, profissão que classifica de “difícil” e, às vezes, “emocionalmente desgastante”. “Dentro do que é possível e dentro da lei tento ajudar”. E tanto para esta profissão como para a Casa da Criança “tem que se ganhar algum calo emocional mas não perder a sensibilidade. É preciso estar atento ao sofrimento dos outros”.

É uma das fundadoras da Associação de Apoio à Criança, cuja casa acolhe temporariamente crianças em risco. Durante as eleições nas Oficinas de São José, em 2000, apoiou uma lista que perdeu. Aproveitando o grupo que se criou decidiram fazer alguma coisa e essa coisa teria de estar relacionada com crianças. Inspiraram-se no Aboim Ascensão, em Faro. Joana e a Casa partilham o mesmo lema: as crianças devem estar com as suas famílias e estar o menos tempo possível nas instituições.

Entre as obras da casa para o acolhimento e a espera pelos apoios comunitários, tudo estava a demorar muito tempo. Em 2005, a associação que Joana ajudou a fundar arrendou uma casa nos Palheiros e, em Fevereiro desse ano, começaram a receber crianças: “Foi quando acolhemos a Elisabete. Nunca nenhum de nós se vai esquecer da chegada da nossa primeira menina”. Desde então já passaram pelos abraços de funcionários e voluntários da Casa 156 crianças. Destas, 145 já saíram com um projeto de vida definido.

Por: Catarina Castro Abreu

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