JOÃO TORDO

Nome João Tordo

Nascimento 28 de agosto de 1975 Lisboa, Portugal

Profissão Escritor

Nasceu em Lisboa a 28 de Agosto de 1975. Formou-se em Filosofia e estudou Jornalismo e Escrita Criativa em Londres e Nova Iorque. Foi vencedor do Prémio José Saramago 2009 com o romance “As Três Vidas”. Publicou nove romances: “O Livro dos Homens Sem Luz” (2004), “Hotel Memória” (2007), “As Três Vidas” (2009), “O Bom Inverno” (2010), “Anatomia dos Mártires” (2011), “O Ano Sabático” (2013), “Biografia involuntária dos amantes” (2014), “O Luto de Elias Gro” (2015) e “O Paraíso segundo Lars D.” (2015). Foi finalista dos prémios Portugal Telecom, Fernando Namora, Melhor Livro de Ficção Narrativa da SPA e do Prémio Literário Europeu. Os seus livros estão publicados em vários países, incluindo França, Itália e Brasil. Como guionista, participou em várias séries de televisão, incluindo “O Segredo de Miguel Zuzarte” (RTP), “4” (RTP) e “Liberdade XXI” (RTP). Trabalha, ainda, como cronista e formador em workshops de ficção dedicados à Escrita Criativa e ao Romance.

Esta é a descrição sumária da vida e obra que o Wikipédia nos dá sobre o escritor João Tordo, autor que esteve na última quinta-feira, 15, em Guimarães, integrado na iniciativa “Escritor no Concelho”, do Festival Literário Húmus. Serviu a ocasião para explicar o seu processo produtivo, que é “algo sofrido”, na medida em que trata de temas como “a insatisfação humana” e a “a tendência do ser humano de que a vida deve ser de uma maneira que não é”.

Quanto à insatisfação humana e referindo-se ao conceito de paraíso, define-o como “o cessar da resistência”. “Quanto mais obstinado sou em relação a um objetivo, mais infeliz sou e como a vida se processa neste movimento infindável nunca poderei ser livre”, disse durante a conversa de quinta-feira.

Contou que quando se confronta com o desafio de estar na pele de quem não é, como é o caso de uma das personagens do seu romance “O Luto de Elias Gro”, uma mulher de 65 anos, vai buscar “a voz à infância”. “Cresci com avó e irmãs que provocavam uma cacofonia de vozes femininas. E eu andava ali à pesca, a esforçar-me para que elas gostassem de mim, num movimento que ainda não terminou”, confessa.

O processo de criação tem, para João Tordo, um lado de maratona: “Escrever é quase como se estivesse a reter a procura da satisfação imediata – como aquela que obtemos via Facebook – e coloco-me no desconforto de não ter respostas rápidas a estímulos constantes”. Diz ainda que se sente pouco “à vontade” consigo próprio e que, por isso, através da escrita, tenta ver “tudo o que está cá dentro”, indica, enquanto aponta para o coração.

É para isso que “desliga do mundo”: “não atendo ninguém porque senão não se faz nada”. Exige que se atravesse o mistério, que é a narrativa “sempre muito frágil”. “Às vezes a narrativa desmorona-se e tu não sabes porquê. São irrecuperáveis e isso causa uma dor, uma frustração terrível”, sublinha. Para João Tordo, escrever causa um “desconforto enorme” mas tem de se aceitar essa “dor” como parte do processo. Urge a pergunta: mas o ato de escrever não tem reforços positivos? O escritor responde que sim e passa por “resolver a dor onde ela dói”.

Por: Catarina Castro Abreu

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