JOSIAS CARVALHO

Nome completo Josias Antunes de Carvalho

Nascimento 06 fevereiro de 1929 Guimarães, Portugal

Profissão Empresário e ex-presidente de Junta de Vermil

Falava dos filhos com carinho e muito amor”, garantia dada pelos amigos a Joaquim Carvalho, filho de Josias Antunes de Carvalho, durante o funeral do ex-presidente da Junta de Freguesia de Vermil. Era um homem a quem o instinto de sobrevivência retirou a candura mas os filhos – quatro, dois rapazes e duas raparigas – e os sete netos podiam recorrer a ele para qualquer problema. É doce a forma como Joaquim Carvalho ainda se refere a Josias como “papá”.

“Ele gostava de fazer as vontades às pessoas e só mesmo se não pudesse é que não cumpria”, relata o filho, realçando que Josias Carvalho era também “uma pessoa muito agradecida”. Tinha um galinheiro com frangos, patos e perus que servia única e exclusivamente para agradecer às pessoas que lhe faziam favores [por exemplo, aos médicos que arranjavam uma consulta extra a quem precisava]”, conta, sublinhando que já encontrou “a lista com os nomes das pessoas a quem tinha que agradecer favores”.

Natural de Ronfe, Josias Antunes de Carvalho emigrou nos anos 50 do século passado para Moçambique, onde se tornou representante comercial de várias empresas localizadas no norte de Portugal, algumas delas de Guimarães. Foi lá que conheceu a mãe dos quatro filhos, uma senhora natural de Viseu, que acabou por falecer aos 39 anos. É aí que se acutila o tal “instinto de sobrevivência” a que Joaquim, o primogénito, se refere: “De repente, o meu pai ficou viúvo e com quatro filhos de sete, cinco, três e dois anos para cuidar. Ele tinha que percorrer Moçambique de lés-a-lés por causa da profissão e isso implicava ficar pelo menos oito dias fora. Como não havia telefones, ele não tinha como saber se estávamos bem durante esse tempo em que nos deixava ao cuidado de familiares”.

Regressa a Portugal no começo dos anos 70, quando voltou a casar com uma viúva que tinha casa de família em Vermil. Fixa-se lá com os seus quatro filhos e mais três filhos da mulher com quem casou, numa cerimónia celebrada pelo Cónego Melo. Entretanto o 25 de abril fecha-lhe as portas de Moçambique, com quem mantinha relações apesar de estar em Portugal. Mesmo durante o PREC, que criou alguma tensão na vida da família, Josias torna-se empresário e dedica-se sobretudo à gestão imobiliária, que “fez com inteligência”.

É desafiado a concorrer à presidência da Junta primeiro pelo CDS, que, numas segundas eleições, “abdica dele como candidato”. “Ele não se ficou e, apesar de não ser filiado no PS, foi apoiado por este partido durante os 32 anos que esteve à frente daquele cargo autárquico”, refere o filho. “A Junta de Freguesia era a vida dele. Mas a vida dele não dependia da Junta.

A política começou a ser mais complicada a partir de 2000 e conseguimos convencê-lo a retirar-se há sete anos”, lembra. Mas esse afastamento significou uma perda grande para Josias, que entretanto foi afetado por uma doença degenerativa que, progressivamente, lhe estava a provocar cegueira. Perdeu a autonomia, deixou de conduzir e foi ficando mais por casa. “Interiorizou que estava num processo de degradação”.

Morreu na passada quarta-feira, 28, vítima de um derrame cerebral. Tinha 87 anos. Porque a forma de estar de Josias permanece para lá do tempo, no último sábado, 01, o filho mais velho, Joaquim Carvalho, sentou-se à cabeceira da mesa onde reúnem para as refeições os vindimadores, sentados num longo escabelo. Nesse dia, Joaquim, que até nem gosta de beber vinho, partilhou malgas de tinto novo como o pai fazia”.

Por: Catarina Castro Abreu

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