MARCELINO DA ROSA

Nome completo: Marcelino da Rosa
Nascimento: 09 de Fevereiro de 1959 Ilha do Fogo, Cabo Verde
Profissão: Empresário

Nasceu sob a égide do vulcão do Fogo, essa força telúrica que marca a vida dos filhos das ilhas de Cabo Verde e talvez tenha sido daí o surgimento do ímpeto para se afirmar como um dos maiores empresários cabo-verdianos a viver em Portugal. Foi em Guimarães que iniciou o empreendimento que hoje emprega mais de 200 trabalhadores e exporta cerca de 90% da produção para marcas bem conhecidas como Massimo Dutti, Dior, Gap, Old Navy ou Macys.

Na garagem de casa, com a esposa, Maria de Fátima Novais – peça mais do que fundamental na engrenagem que é a Giliana -, começa uma confeção de camisas. Andava há anos a trabalhar para outros e a emprestar o engenho a negócios alheios. Porque não começar algo seu? O casal dedicou-se dia e noite à empresa, sempre sustentada no trabalho e sacrifícios pessoais. Confessa-mo – “Foi uma vida de muito trabalho, mais de 40 anos de trabalho” – a mulher de Marcelino enquanto prolonga o olhar pela fábrica onde é comum vê-la, ainda hoje, de ferro na mão a passar camisas.

Marcelino começou por ser escriturário e a dedicar-se à dactilografia de anúncios e avisos que eram transmitidos no Rádio Clube da Praia. Embarca para Angola em 1971, integrado no exército português. Graças à experiência de secretaria na rádio cabo-verdiana ficou encarregado de fazer o apoio logístico e administrativo de uma companhia do exército. Luanda, Ambrizete e Carmona foram as suas paragens durante 28 meses.

Findo o serviço militar, Marcelino ruma a Guimarães e começa a trabalhar numa fábrica de frigoríficos. Fica 12 anos na Jordão até que chega o momento de levar a sua ambição mais longe. Torna-se representante de uma fábrica de utensílios domésticos em inox ao mesmo tempo que envereda pelo mundo do têxtil, no coração do vale do Ave, que nos plenos anos 80, batia mais forte.

Funda as Confecções Giliana em 1982, uma marca que desenvolve sobretudo produtos ligados à camisaria clássica, sportswear e blusas de senhora e criança. Em 1986  introduz um processo de fabrico inovador: as camisas eram feitas em tecido cru para passarem pelo processo de tingimento posteriormente. Foi este o segredo para a Giliana se destacar dos seus concorrentes nacionais expandindo-se no mercado internacional. Primeiro foi a Europa a prestar-lhe atenção, mais tarde estendeu as suas exportações para os EUA e alguns países africanos, entre eles, obviamente, Cabo Verde. Para além da unidade de produção instalada em Guimarães (com cerca de 8500 m2), a Giliana tem também uma fábrica em Vila Verde (4600 m2). Neste momento as baterias da empresa estão apontadas para os EUA, alvo das suas exportações, mas há anos que Marcelino repousa os olhos em Cabo Verde, onde tem negócios ligados ao comércio têxtil – claro está -, saúde e turismo.

Marcelino é homem de duas pátrias: a de Guimarães, onde fez família e empresa, e de Cabo Verde, as suas “ilhas do paraíso”. Pai de duas filhas de quem espera que continuem o trabalho iniciado por ele e pela mulher, Marcelino distingue-se por ser um homem de aparência irrepreensível, simpático no trato, diz-se que, volvidos tantos anos no mundo dos negócios, é o próprio que passa com o seu punho as camisas que veste. Porque o melhor, sabe-se bem, está nos detalhes.

Por: Catarina Castro Abreu

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