MIGUEL MARQUES

Nome completo

Miguel Alberto Fernandes Marques

Nascimento

07 de junho de 1963

Azurém (Guimarães)

Profissão

Comercial de calçado

Vimaranense de gema, nasceu em Azurém, na casa dos pais, que ainda são vivos. Foi há 54 anos que nasceu um dos melhores defesas centrais que passou pelo futebol português. Andou no infantário de Azurém e na escola da Pegada, tudo perto de casa. Depois foi para a Francisco de Holanda, onde estudou até ao 7.º ano. “Não continuei a estudar porque senti a necessidade de ir trabalhar, por iniciativa minha”. Já durante os tempos de escola, aproveitava as férias grandes para trabalhar. Trabalhou em máquinas de costura, em mercearia e até como mecânico. No entanto, o futebol sempre foi a sua grande paixão e foi aos 14 anos que ingressou pela primeira vez num clube oficial, e logo no Vitória. Fez quatro anos de formação e depois esteve três anos emprestado: um no Moreirense e dois no Vizela. Ajudou os vizelenses a atingirem um marco histórico, a subida à 1.ª divisão. “Mesmo emprestado tinha sempre a ideia de que iria voltar ao Vitória”. Assim foi, voltou e jogou quatro temporadas no D. Afonso Henriques, tendo ajudado a escrever algumas das páginas mais bonitas da história do clube. Ainda no Vitória foi chamado à seleção nacional, tendo-se estreado numa vitória por 0-1 na Suécia, na qualificação para o Europeu de 1988.

“Ouvir o hino nacional faz tremer”

O hino marcou-o de tal forma que hoje em dia ainda sente o frenesim quando o houve em casa. Aliás, nos jogos do Vitória, faz questão de cantar o hino antes dos jogos, com toda a alma. Os momentos inesquecíveis na seleção vai guarda-los para sempre, até porque não foram poucos. Foi cinco vezes internacional A e oito vezes internacional pela seleção olímpica.

Cumpriu o principal objetivo que traçou quando começou a carreira: jogar no Vitória, num chamado “grande” do futebol português e ainda na seleção. Foi com naturalidade que surgiu a hipótese de ir para o Sporting, até porque também havia o interesse do Porto e Benfica. “Foi fácil chegar a acordo, mas o Pimenta Machado queria que eu ficasse”. Os valores propostos pelo Vitória estavam muito longe dos que eram oferecidos pelos lisboetas. Apesar de não ter pago qualquer verba financeira, o Sporting emprestou três jogadores ao Vitória. Chegar a Lisboa foi um verdadeiro choque. “Só saia de Guimarães por causa do futebol”. Esteve um ano sozinho na capital, mas acabou por ultrapassar bem. No Sporting nunca venceu um troféu, o que é “um desgosto” que ainda hoje guarda. Fez dupla com grandes centrais, como por exemplo o Luisinho, internacional brasileiro.

Do Sporting saiu para o Gil Vicente, onde esteve seis temporadas e cumpriu sempre os objetivos do clube: não descer de divisão. De seguida esteve oito anos no Trofense, onde até chegou a ser treinador-jogador. Fizeram homenagem no seu último jogo, mas entretanto o mister Francisco Branco pediu-lhe para o ajudar no Torcatense. “Foi um grande sacrifício, não havia condições”. Aos 42 anos terminou uma carreira repleta de sucessos e de muitas histórias para contar. Ainda assumiu o cargo de treinador adjunto em vários clubes e ajudou a sua esposa no quiosque que detinha. Hoje é comercial de calçado em Felgueiras e ainda brilha nos relvados ao serviço dos veteranos do Vitória, onde é apelidado de “melga” pelos colegas, por não conseguir estar calado em campo.

“Gritavam muerte, muerte, muerte!”

Ao longo da carreira são várias as histórias que guarda na memória, mas acima de tudo no coração. Viveu por dentro um dos dias mais memoráveis da história do Vitória: o apuramento para os quartos-de-final em Madrid, contra o Atlético. “Ao entrar para o estádio, nós ouvíamos os madrilenos a desejar-nos morte: muerte, muerte, muerte. Aquilo deu-me muita força”. Acabou o jogo com a camisola cheia de sangue, mas nem se apercebeu. No fim, foram recebidos como heróis.

Por: Luís Freitas

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