MUNDINHO

Nome completo: Edmundo Paulino de Sena
Nascimento: 09 de Setembro de 1952 Bahia, Brasil
Profissão: Funcionário Municipal e Ex-Futebolista

No Arquivo Municipal habituamo-nos à presença de uma figura simpática, que nos cumprimenta ao passar. É mais conhecido na urbe vitoriana do que na vimaranense: foi ponta-de-lança do clube entre 1978 e 1981, vindo da Bahia, Brasil, trazido na altura pelo treinador do Vitória, Mário Wilson. Mas interessa-me mais a outra história, a que começou com xx, no mesmo ano.

Conheceram-se no Osvaldinho, frequentado naquele tempo pelos jogadores do Vitória e pelos adolescentes que andavam na escola industrial. Ele com 24 anos, ela com 15. “Foi um escândalo, na altura. Era mais velho, jogador de futebol e preto, tinha tudo para os meus pais desaprovarem a relação”, lembra xx. “Foi muito complicado”, reconhece Mundinho, mencionando os mais de trinta anos em que estão juntos. Não foi, afinal, um arrojo juvenil aquele que a fez sair da casa dos pais quando tinha 18 anos e juntar-se a Mundinho no Marco de Canavezes, quando militava no clube daquela cidade. Estão juntos há mais de 30 anos e casaram em 2008.

Hoje trabalham juntos no Arquivo Municipal. Na verdade, trabalham no mesmo local mas com funções que não se cruzam. “Daquela porta para dentro o casamento fica lá fora. Cada um faz o seu trabalho e ninguém toma partidos”, garante a mulher de Mundinho, vincando que até o facto de terem ficado colocados no mesmo sítio foi mais uma coincidência que os juntou.

Antes de chegar a Guimarães, por um montante que não sabe – “isso foi lá com eles” – fez o seu percurso por alguns clubes brasileiros e estava no Santa Cruz de Recife quando rumou a Portugal. Depois do Vitória, foi para o Braga, Chaves, Marco de Canavezes, Freamunde e terminou a carreira, aos 38 anos, em Ermesinde. Manteve sempre a sua relação com a Cidade-Berço, onde depois da carreira futebolística abriu um café “que não correu bem”. Está há 20 anos nos quadros da Câmara Municipal de Guimarães e trabalha como porteiro no Arquivo Municipal Alfredo Pimenta.

O futebol mantém-se uma paixão. Já esteve no popular e passou por clubes como o Pinheiro, Valinha, Gémeos e Santiago de Candoso. Neste momento está parado, cansado que se sente da agressividade de alguns adeptos. Entende que as pessoas sejam apaixonadas, agrada-lhe o bairrismo, mas é preciso ter paciência para reações mais assolapadas. Neste momento, é vê-lo em alguns jogos dos escalões jovens do Vitória – vive perto da unidade – em que observa o potencial das promessas e não perde, como é óbvio, uma partida no D. Afonso Henriques.

O momento que o Vitória atravessa traz-lhe algum desgosto: “A direção devia preocupar-se menos com o passivo e apostar mais em trazer jogadores de qualidade para a equipa. O adepto vai hoje, vai amanhã, mas às tantas desiste”. Essa não é a única crítica que aponta. Há que suar a camisola. “Hoje”, diz, “há uma maior preocupação com vaidades. No nosso tempo não havia vaidades. Incutiam-nos a paixão pelo Vitória e o que nos movia – porque os salários não tinham nada a ver com os que são pagos atualmente – era o amor à camisola”. Para Mundinho, é isso que também faz falta aos jogadores da bola em Guimarães.

Por: Catarina Castro Abreu

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