O CLUBE DESPORTIVO DO SÉC. XXI

por Luís Rodrigues

Secretário-Geral da APOGESD – Associação Portuguesa de Gestão de Desporto

Presidente da Direção do GUIMAGYM – Clube de Ginástica de Guimarães

A crescente importância do fenómeno desportivo fez com que o poder político nacional a partir de 1976 tivesse consagrado o desporto na Constituição da República enquanto direito fundamental. A Lei de Bases da Atividade Física e do Desporto (Lei n.º 5/2007, de 16 de janeiro) refere, no artigo 26.º, que os clubes desportivos “são pessoas coletivas de direito privado, constituídas sob a forma de associação sem fins lucrativos, que tenham como escopo o fomento e a prática direta de modalidades desportivas”.

Os clubes desportivos continuam a ser a célula básica do sistema desportivo, mas não têm de ter a responsabilidade exclusiva de o promover. Encaro o associativismo como um espaço de liberdade e criatividade conquistado pela sociedade civil à margem do Estado, estabelecendo um espaço de autorresponsabilidade assumida por quem dirige os clubes e a eles se associa.

A evolução tem provocado transformações nos hábitos que se estabelecem nos clubes desportivos, e a forma como hoje olhamos para os clubes tem-se alterado drasticamente, obrigando os dirigentes desportivos a adaptarem-se. Longe vão os tempos dos praticantes que não tinham de pagar uma mensalidade pela sua atividade e dos clubes que viviam dos subsídios municipais. E mais longe ainda os tempos em que os praticantes vinham ter ao clube de forma livre e espontânea. Na busca de melhorar a qualidade dos serviços apresentados, o clube teve de encontrar novas estratégias de financiamento.

Hoje, um clube concorre num mercado que vai muito além dos praticantes que pretendem ser desportistas federados ou de alta competição. A inatividade física é um dos grandes flagelos da sociedade atual. Se em cada dez pessoas, apenas três praticam desporto e apenas uma está integrada no movimento associativo, conseguimos vislumbrar as oportunidades que o mercado apresenta a estas organizações.

Com mais de 100 clubes desportivos e uma oferta superior a 40 modalidades, considero que o movimento associativo em Guimarães merece destaque devido aos resultados alcançados e ao ecletismo enquanto símbolo de diversidade. Recentemente, surgiu o Guimagym – Clube de Ginástica de Guimarães como promotor de uma nova modalidade, que vem colmatar uma lacuna que se verificava. A criação do clube funda-se na decisão da autarquia em construir uma infraestrutura especializada para a prática da modalidade e que irá garantir todas as condições para a evolução dos seus praticantes.

O Guimagym não pretende ser melhor do que qualquer clube já existente. A premissa de atuação reside no facto de pretender ser mais do que um clube, pois é esta a nova exigência da realidade. Contamos com todos os que querem praticar desporto e pretendam melhorar as suas capacidades e promover o seu bem-estar. Vamos ao encontro de várias organizações para criar sinergias e uma rede de cooperação mútua. Mais importante do que a velocidade é a direção, e parece-nos que este será o melhor caminho para atingir os objetivos propostos.

O clube desportivo do séc. XXI terá claramente de ser proativo e não reativo. Felizmente, Guimarães tem vários exemplos que devem ser seguidos e reconhecidos como boas práticas.

 

 

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