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RUGBY, ESCOLA DE VIDA

por Manuel Paulo Ribeiro

Presidente do GRUFC

Os nomes das equipas tradicionais da segunda modalidade mais praticada no planeta, o RUGBY, em Inglaterra, onde nasceu paralelamente com o futebol, terminam em RUFC, que é a sigla para RUGBY UNION FOOTBALL CLUB. Isto explica o nome do clube que nasceu há nove anos na cidade berço, o que foi carinhosamente baptizado de GRUFC, sendo o “G” naturalmente representativo do nome da cidade de Guimarães.

O RUGBY, para quem não conhece, é uma modalidade coletiva que coloca num campo com medidas semelhantes ao utilizado no futebol de onze, duas equipas de quinze jogadores. Cada equipa divide-se basicamente em dois grupos, sendo um composto por atletas mais corpulentos a que se chama avançados e outro por atletas mais leves, ágeis e velozes, que habitualmente dão pelo nome de três quartos. A ligação entre os dois grupos é assegurada por um jogador específico que dá pelo nome de médio de formação e enverga a camisola número nove.

O jogo, contrariamente ao futebol, joga-se maioritariamente com as mãos, quer segurando a bola quer passando-a para um companheiro. Neste aspeto reside o principal desafio deste interessante desporto, visto que apesar da necessidade de avançar no terreno, a bola só pode ser passada a um companheiro que se encontre atrás do portador da bola. Este pormenor torna marcação pontos por “ENSAIO” extremamente difícil, já que esta forma de pontuar implica a colocação da bola na chamada área de ensaio, que no futebol equivale ao espaço situado atrás da baliza do adversário. Note-se que para impedir essa acção estão quinze adversários em campo vestidos com outras cores e dispostos a lutar arduamente para o evitar. O ensaio está assim para RUGBY como o golo está para o futebol. A diferença reside na dificuldade da sua obtenção, já que no futebol um bom “artilheiro”, pode marcar um golo a trinta ou mesmo quarenta metros da baliza sem ter de lá chegar fisicamente, enquanto no RUGBY um jogador marca um ensaio transportando e colocando a bola no chão com as mãos na já referida área de ensaio, que é nada mais nada menos que o “castelo” do adversário. Para tal e equipa tem de percorrer e transpor a totalidade da extensão do campo “combatendo” pelo caminho com os jogadores adversários que defendem com toda a determinação. É por isso que muitos consideram o jogo de RUGBY como uma espécie de batalha campal de trinta jogadores, mas disputada com total lealdade e fair play.

Aliás, sem menosprezar as outras muitas modalidades que se praticam neste país, o RUGBY distingue-se de todos os outros desportos por levar ao limite aspectos como a humildade, o espírito de sacrifício, o companheirismo, a ética e o respeito pelo árbitro e pelos adversários.

Essas virtudes são ainda mais evidentes quando por exemplo à semelhança do futebol Americano de onde importou a ideia, e em competições de elevado nível não se prescinde do vídeo-árbitro, que analisa em vídeo e ao vivo (na hora), qualquer jogada ou situação menos clara para o árbitro principal, evitando assim qualquer possibilidade de influência no resultado por parte deste último e garantindo de forma ímpar, a verdade desportiva. Outro exemplo é o fato de o jogo não ser interrompido quando um jogador se lesiona, com a excepção de lesões evidentemente graves o jogo de RUGBY continua a decorrer e o atleta é assistido no local. Isto faz com que qualquer tentativa por parte de um jogador para levar o árbitro a interromper uma fase de jogo favorável à outra equipa, seja não só infrutífera mas até lesiva para a equipa do jogador que está a simular a lesão, já que enquanto este permanecesse no chão simulando uma lesão, o jogo decorreria com a sua equipa munida de apenas catorze elementos. Outro aspecto importante que exemplifica a postura que caracteriza esta modalidade, é o fato de não existir tempo de compensação, que possa no final do jogo e sob o exclusivo controle do árbitro, gerar tempo adicional que possa beneficiar uma das equipas. No RUGBY as interrupções obrigam sempre a paragens no cronómetro e no final de qualquer das duas partes que constituem o jogo, este só termina quando na jogada que está a decorrer a bola cair ou for passada para a frente com as mãos por um jogador, ou sair do recinto do jogo pelas linhas limites do campo. Até esse momento o jogo prossegue, sendo assim os jogadores quem detêm o poder de terminar o jogo. É por esta razão que, terminado o tempo regulamentar de quarenta minutos de cada parte, o árbitro diz aos jogadores a expressão “BOLA DE JOGO”, indicando deste modo que a partir desse momento o jogo terminará quando se verificar alguma das interrupções já referidas.

São estas características aliadas aos espetos éticos intrínsecos ao próprio jogo, que fazem do RUGBY uma modalidade única e que justifica a famosa máxima “RUGBY, Escola de Vida”, já que os seus valores são incutidos desde cedo nos atletas, participando assim o RUGBY de forma ativa na formação moral e de carácter dos jovens que o praticam.

Lamentavelmente o RUGBY em Portugal caracteriza-se de uma forma geral pela escassez de meios materiais e financeiros. O GRUFC não é excepção a esta realidade situação que se vê piorada pela falta de tradição e escassez da modalidade nesta região, originando por um lado custos acrescidos ao nível das deslocações e por outro padecendo do desconhecimento generalizado da população quer da existência do clube, quer mesmo da existência da modalidade ou das suas características.

Refira-se que o clube Vimaranense recebe como único apoio uma subvenção financeira da Câmara Municipal de Guimarães e alguns parceiros, lamentando-se a ausência de apoios privados de maior expressão, e principalmente a falta de conhecimento e participação da sociedade civil vimaranense nos jogos e actividades do clube em Guimarães que tanto poderão contribuir para o crescimento do clube e da modalidade na região.

Aproveita-se esta oportunidade pois, para convidar todos os vimaranenses a virem à pista Gémeos Castro no sábado, dia vinte e oito de Janeiro pelas quinze horas. Nesta ocasião terão a oportunidade de assistir a uma partida de elevado nível, já que a equipa da Cidade Berço, também conhecida pelos “Bravos de Guimarães”, chegou aos oitavos de final da taça de Portugal, e receberá nesse dia a fortíssima formação da Associação Académica de Coimbra, que disputa o campeonato nacional da divisão de honra, ou seja a divisão de topo do RUGBY Português. Este fato garante por isso uma qualidade acrescida a este jogo e uma boa dose de entretenimento.

Esperamos pela vossa presença nas bancadas da pista Gémeos Castro, a torcer e apoiar a nossa destemida e determinada equipa sénior.

 

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