O QUE LÁ VAI, LÁ VAI! O QUE AÍ VEM NÃO SABEMOS

por ANTÓNIO ROCHA E COSTA
Analista clínico

Em tempo de balanços cumpre-nos fazer uma retrospectiva dos acontecimentos mais relevantes da década que agora termina, mas também perspectivar os tempos que se adivinham.

Se nos circunscrevermos à nossa cidade, diríamos que o acontecimento mais impactante da década foi sem dúvida a ‘Capital Europeia da Cultura’ e o resto é paisagem, essa paisagem morna e tranquila, que serve de pano de fundo à vivência do dia a dia, nesta urbe afonsina. Já a nível nacional, não resisto a eleger os anos da troika como o período mais relevante, pela negativa, cuja má memória irá perdurar certamente na mente dos portugueses por muitos e bons anos. Efectivamente, não é fácil esquecer a humilhação e os sacrifícios a que foi sujeito todo um país, só porque, como diria Luís de Camões, “um fraco rei fez fraca a forte gente”. Se olharmos mais longe e elegermos o acontecimento planetário mais importante, estarei tentado a apontar, mais do que a emergência do Trumpismo ou o perigo de fragmentação da União Europeia, o facto de a crise ambiental passar a ser o tema dominante que irá marcar a agenda mediática das próximas décadas, segundo os oráculos mais esclarecidos.

Fazer previsões para a próxima década, já para não ir mais longe, será um exercício inútil,se partirmos do princípio de que as crises climáticas continuarão a ser uma fatalidade e que a criação de uma nova ordem ecológica será uma utopia.

Curioso é verificar que aqueles que subvalorizam ou menosprezam esse ‘fedelho’ incómodo chamada Greta Thunberg são os mesmos que acreditam nos três pastorinhos de Fátima, a quem a Virgem Maria incumbiu de espalhar a mensagem divina e de rezar pela conversão da Rússia.

Por falar em mensagem, recordo um documentário, sob a forma de desenho animado, que passava nos cinemas nos finais da década de sessenta ou princípios da década de setenta do século XX. Estávamos ainda longe da emergência climática que é hoje motivo de grande inquietação para os seres bem pensantes, mas a mensagem do filme-documentário era sem dúvida premonitória. Das cenas que recordo desse filme destaco aquela em que um personagem instalado numa banheira, preparando-se para tomar um relaxante banho de imersão, abre a torneira e só sai lixo (plásticos, latas, ferro velho, etc.). Uma outra cena passava-se num parque natural onde supostamente o ar era puro e os visitantes pagavam para entrar e para, uma vez lá dentro, cheirar as flores e encher os pulmões de ar.
Há dias, para meu espanto, ou não, leio nos jornais e oiço na rádio uma notícia que dava conta que na Índia, mais precisamente, em Nova Deli, abriu um espaço em que as pessoas pagam o equivalente a 5 € para respirar ar puro durante 15 minutos.

Uma coisa é certa: estamos todos convocados para travar esta luta pela salvação do planeta e se respondermos à chamada, talvez ainda se consiga reverter a situação.Haja vontade e determinação e as coisas não serão assim tão complicadas como parecem.

Ou seja: se cada um limpar a soleira e o espaço à frente da sua porta, a rua onde mora ficará limpa; se todas as ruas estiverem limpas, a cidade estará limpa, podendo-se extrapolar para o país e para o mundo. Será assim tão simples? Certamente que não, mas teremos que começar por algum lado.
assim, como o Engenheiro Hélder Rocha, nunca nos deixarão.

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