PEDRO MEXIA

Nome completo

Pedro de Magalhães Mexia Bigotte Chorão

Nascimento

5 de dezembro de 1972

Lisboa, Portugal

Profissão

Poeta, cronista e crítico literário

Foi por ocasião de mais uma iniciativa “Escritor no concelho”, do Festival Literário Húmus, que a Biblioteca Raul Brandão recebeu Pedro Mexia. Pela primeira vez, a casa esteve cheia para receber o poeta, cronista e crítico literário, numa sessão em que se falou do incontornável Prémio Nobel da Literatura, Bob Dylan. Para Mexia, uma coisa é certa: “este ano ninguém vai dizer que não conhece o Bob Dylan [sobre a Academia Sueca ter o hábito de atribuir o prémio a autores desconhecidos], mas as pessoas nunca estão contentes”. “Pode discutir-se se uma canção é literatura. Numa canção a letra é apenas uma parte e percebo conceptualmente que uma letra de canção não é literatura por si só. Mas a poesia nasceu ligada à música. A relação entre o canto e a poesia é milenar. Se admitirmos isto, fico contente por esta abertura às canções”, disse. Por ter uma “abordagem muito literária da música”, Pedro Mexia congratulou-se com o prémio e aproximou a obra de Dylan aos livros.

Tem na crónica e no poema os seus géneros literários de eleição e não se vê a aventurar-se num romance. Por uma razão simples, apontou: “Não me interessa a auto-ficção nem o romance. Há dois métodos para fazer ficção: ou inventar coisas e ou dar outros nomes a personagens e factos reais. Fico desconfortável a escrever a transposição das pessoas e das vidas que conheço e não tenho imaginação para inventar histórias. Por isso, estão bloqueadas as duas vias”. Resumindo: Pedro Mexia não tem como escrever um romance.

Autor de sete livros de poemas, seis volumes de crónicas e quatro de diários, Pedro Mexia assinalou que a sua forma de estar e de escrever é na “emoção recordada na tranquilidade”. Falou ainda do frisson que se instala num escritor quando tem uma obra concluída: “Fica-se muito entusiasmado com um texto, quando se publica um livro. Há um entusiasmo quando se faz aquilo. Mas nunca me aconteceu ir à estante, pegar num livro meu e achar ‘Que poema bestial!’. Depois são editados, estão numa livraria ou numa biblioteca e vê-se a nossa insignificância. Como somos apenas uma gota de água”.

Pedro Mexia, para além de cronista, tornou-se também reconhecido pela escrita “diarística” que fez em vários blogues. “Os blogues não foram uma alternativa às coisas que eu podia escrever no jornal mas foi uma forma moderna de escrever um diário. O imediatismo e o feedback ajudam. Sou um grande leitor de diários, gosto muito do género, o blogue significou isso”, assinalou, sublinhando que, “nessa medida, as redes sociais nunca tiveram a mesma dimensão”.

Pedro Mexia nasceu em 1972, em Lisboa. Licenciou-se em Direito pela Universidade Católica, o que classificou como sendo “o maior trauma público da minha vida”, uma fase da sua vida sobre a qual chegou a escrever com o objetivo de exorcizar: “Eu queria mesmo ofender aquela área de saber. Os exemplos e adjetivos tinham que ser achincalhantes porque foi terrível na minha vida”. É cronista e crítico literário no semanário Expresso, colaborou anteriormente com os jornais Diário de Notícias e Público. É um dos membros do Governo Sombra (programa de rádio TSF / TVI24). Foi subdiretor e diretor interino da Cinemateca Portuguesa.

Por: Catarina Castro Abreu

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