Portugal e Brasil

Por Jorge Santos.

Ainda inspirado pelos ventos das comemorações do centenário da primeira travessia atlântica de avião, entre Portugal e o Brasil, realizada por Sacadura Cabral, assim como pelas comemorações dos 200 anos da proclamação de Independência do Brasil, eis que nos deparamos com um “boom migratório” de brasileiros que chegam a Portugal à procura de melhores condições de vida.

Em 2021 eram pouco mais de 200 mil com residência em Portugal, hoje, são muitos mais… Na bagagem trazem muita esperança e poucos euros para um recomeço que, na maioria das vezes, não chega para pagar os dois ou mais meses de renda, pedidos pelos proprietários de uma casa para habitar.

Chegam famílias inteiras, algumas mulheres carregam já dentro de si uma pequena vida, são ajudados numa primeira fase por famílias amigas que se encontram já alojadas e pelas igrejas Evangélicas, ou outras, que aqui se instalaram há muito tempo.

Num passado recente só contactávamos ou nos deparávamos com um número assinalável de brasileiros em cidades de maior dimensão como Lisboa, Porto e até Braga, hoje Guimarães tornou-se um destino para os brasileiros que chegam com diferentes níveis de escolaridade, muitos jovens que vêm à procura de emprego e formação académica, muitos outros com formação superior e outros tantos, ou talvez na sua grande maioria, com pouca escolaridade.

Portugal passou de exportador a importador de mão-de-obra.

A imagem de Portugal, que os Brasileiros passam para o Brasil, é de que somos uma sociedade democrática, evoluída e com respostas sociais, em suma um país de oportunidades e de qualidade de vida, elevando a segurança a um dos fatores fundamentais, o país onde não encontram os problemas sociais do Brasil, como a criminalidade e violência.

A língua comum é outro fator fundamental e facilitador de uma adaptação que se constitui de forma mais rápida, efetiva e positiva.

Numa conjuntura onde se verifica que setores menos qualificados têm falta de mão-de-obra, a imigração emerge como uma resposta “Social” e como um meio de reduzir a tensão sobre o possível aumento dos salários para trabalhos que os portugueses já não consideram apelativos.

Seja como for este país, cada vez mais envelhecido, necessita de imigrantes. Sem eles a nossa segurança social, o nosso crescimento ou equilíbrio demográfico, assim como a nossa economia podem vir a estar condenadas.

A sociedade portuguesa, onde se incluem os Vimaranenses é, em regra, defensora dos direitos fundamentais e da dignidade do ser humano, por esse motivo tem procurado responder afirmativamente a este “Boom de Brasileiros” que por cá procuram melhorar a sua qualidade de vida. Para comprovar o que afirmo está à vista o trabalho dos diversos movimentos solidários disponíveis em Guimarães como, o “Servir Sem olhar” e o “Ajudar o próximo Guimarães”, assim como de várias Juntas de Freguesia que através de um árduo trabalho de campo e de proximidade, funcionam como “almofadas” que permitem a estas famílias uma adaptação mais fácil. Estes grupos realizam um trabalho que vai desde a doação de bens alimentares ao apetrechamento de casas com todo o tipo de mobiliário e eletrodomésticos a kits completos para bebés e até empregos, de forma a dotar estas famílias com uma resposta para as suas necessidades mais básicas.

Assim vai Guimarães que outrora foi uma cidade de “Emigrantes“ e hoje é, ela mesma, uma cidade de “Imigrantes”. Esperemos que com esta abertura de portas a nossa sociedade, e cultura, possa enriquecer tal como aconteceu aos países para onde emigramos e onde orgulhosamente enaltecemos e valorizamos o povo Português.
Assim esperamos… Sejam muito bem-vindos!

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