Racismo, Qual Racismo?

Por César Machado.

Assinalar a luta contra o racismo em Portugal? Mas porquê? Em Portugal não há racismo, que ideia mais deslocada. O racismo deve combater-se onde existe. Nada temos a ver com isso, desde há muito, para não dizer, desde sempre.

Já nem é recordado que, no tempo da outra senhora, eram os arménios uns tipos a evitar e Portugal abriu as suas portas, com toda a generosidade, a um deles, sem colocar qualquer problema? Ok, é verdade que era um sujeito com interesses em companhias de petróleo e Portugal revelava algum interesse em manter cá os dividendos daqueles interesses, os do pretróleo, mas que interesse tem isso? Sim, chamava-se Calouste Gulbenkian e, por sinal, outros países europeus, igualmente insuspeitos de sinais de racismo, disputaram rijamente a sua preferência. Nós, racistas? Encaramos sempre a relação entre pretos e brancos com a maior naturalidade, sem ter de inventar palavras estranhas como “afro europeus”. Isso é coisa de americano, que, à falta de um olhar natural e de igual para diferente, tem dificuldade em assumir que há pretos e há brancos. Claro que alguns pretos americanos ficam irritados com estas sofisticações. Como sucedeu com Elvin Jones, numa entrevista a um jornalista “euro americano” –leia-se, branco- que perguntou ao enorme baterista de jazz como era isso de ser um músico afro americano, e logo se viu bruscamente interrompido…- ”Calma lá, não sei o que isso é, afro americano? Sou um preto nascido nos Estados Unidos, como meu pai, meu avô e o avô de meu pai, eram pretos nascidos na América, nunca nenhum de nós esteve em África, que história é essa?” Pois, os americanos complicam o que é simples. A coisa evoluiu e até tiveram um presidente preto americano, e agora uma vice presidente de cor diferente da do presidente. Mas falta-lhes a nossa naturalidade a lidar com o assunto. Nós até temos um Primeiro Ministro de origem indiana, com a cor da pele a condizer, e quem fala nisso? Nós, racismo, qual racismo? E com pretos em Portugal, onde está o racismo? Entre nós não faltam exemplos de pessoas pretas cheias de sucesso, a desportistas, modelos, artistas, deputados, industriais ou mesmo banqueiros, todos bem amados, apresentadores de noticiários televisivos aparecem a dar-nos as novidades sem qualquer ar de novidade. Haja em vista as passadeiras vermelhas que se estenderam neste país a Isabel dos Santos, a desfilar elegantemente por esses portugais até cair por lhe puxarem o tapete – não as passadeiras, que por essas, bem continuaria de pé a espalhar sorrisos, charme e avultados lucros para a comunidade em geral. E o que se passa com os asiáticos? Não foi o Sr. Stanley Ho tão bem tratado em Portugal? Tinha um império, em Macau, em Portugal e no mundo? Que mal tem isso? Não é esse o tema. Há sempre gente pronta a confundir tudo e a dar-se mal com o êxito do outro. Nós não temos um problema de lidar mal com outras etnias, pessoas de países estranhos, cores diferentes, nada disso.

Sempre ajuda que quem se apresenta com “algumas diferenças” se faça acompanhar de consideráveis fortunas porque as coisas são assim mesmo. Até se atribuem os chamados Vistos Gold a tantas destas pessoas! Vemos ouro nessas pessoas, ouro! Não se diga que não lhes passamos cartão. Racismo, qual racismo?

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