Regresso às creches: entre a “ansiedade de voltar” e os muitos cuidados a ter

Creches reabrem esta segunda-feira e seguem uma série de medidas.

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A abertura de creches traz, em contexto de pandemia, cuidados acrescidos. No plano de desconfinamento para o país, o Governo definiu um período de transição para que estas instituições abrissem portas entre esta segunda-feira, 18 de maio, e 01 de junho. Ainda assim, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social sublinhou que este regresso está dependente da avaliação a efetuar pelo Governo e autoridades sanitárias ao longo da primeira quinzena do estado de calamidade.

Até esta segunda-feira, o dia da reabertura, as instituições prepararam-se para receber as crianças até aos três anos de idade. E isso, para além de testes, desinfetantes, máscaras e reformulações do espaço físico das creches, traz uma mistura de sentimentos. “Por um lado, há a ansiedade. Toda a gente quer voltar, é o que gostamos de fazer, é o que nós somos, é o nosso objetivo e propósito. Mas, por outro, estamos receosos. Sabemos que vai ser muito dificil cumprir tudo o que é definido pela DGS”, disse Maria Fernandes, educadora no Patronato de São Sebastião, situado no centro de Guimarães.

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Na sala, as turmas devem ser reduzidas; ainda assim, estas devem ser fixas e ocupar sempre o mesmo espaço, tendo sempre o mesmo educador. Para além disso, as mesas de trabalho devem seguir a mesma orientação. E as máscaras, claro, são obrigatórias para educadores e pessoal auxiliar. Maria alertava que “as crianças poderão não reconhecer” a educadora e as auxiliares “com uma máscara a tapar metade da cara”. São cuidados necessários, tal como outros anunciados: os brinquedos ficam em casa e as crianças devem ter calçado específico para andar no interior dos espaços.

Naquela instituição, espera-se o regresso de pelo menos uma dezena de crianças de um ano de idade. “Normalmente, são 14, porque há famílias que vão continuar em casa. O grupo vai ser pequenino. Mas, depois do dia 01 de junho, vamos ter de alterar estruturas físicas para dividir as turmas”, contou a educadora ao Mais Guimarães. Essa é uma das diretrizes da Direção-Geral da Saúde (DGS) para a reabertura das creches.

E, na sala, outros brinquedos e materiais não poderão ser partilhados entre crianças — algo que se junta à lista de factores que poderão causar “estranheza” às crianças neste regresso. A educadora mostrou-se preocupada com “o desenvolvimento emocional” dos mais novos: “Não podem partilhar brincadeiras ou abraçar os amigos. É um choque grande, estão fechados em casa e voltam para a escola com uma realidade completamente diferente.”

E a questão dos brinquedos é fundamental quando uma criança de um ano explora o mundo: “Com esta idade, conhecem o mundo, muitas vezes, através da boca. É quase instantâneo brincarem com o brinquedo com as mãos e depois levarem-no à boca. A equipa educativa terá de estar muito atenda e vai ser mais trabalho.”

A DGS indica ainda que os pais não deverão deixar as crianças à porta, não podendo entrar nas creches. Para as crianças que são transportadas em viaturas das creches, aplicam-se as mesmas regras do uso de transportes públicos. Terá de existir uma área de isolamento para casos suspeitos de covid-19, com circuitos definidos e isoláveis. As creches também terão de ter garantia de substituição para funcionários que se encontrem doentes e não deverão utilizar sistemas de ar condicionado em sistema de recirculação.

De volta às salas, cada uma deverá ter um dispensador de gel desinfetante e os espaços não utilizados devem ser encerrados. Ainda assim, todos os espaços devem ser arejados com a abertura de portas e janelas. Deve também haver “rigor” na higiene de todos os espaços através de um reforço na desinfeção e limpeza, estando previstos turnos nas cantinas. Nesses espaços para refeições, o distanciamento entre crianças também deve ser garantido. Berços ou camas devem ser utilizados sempre pela mesma criança e devem ter espaçamento mínimo de dois metros entre si. A mesma medida é aplicada ao distanciamento entre crianças.

Maria reconheceu que esta será uma tarefa árdua: “Vamos tentar cumprir à risca, mas será muito difícil. O que vamos tentar fazer é apostar em brincadeiras individuais, que estimulem na mesma.” Ainda assim, a educadora não compreende o porquê de os “meninos mais pequenos” serem os primeiros a voltar às creches e jardins de infância. “As crianças precisam muito da proximidade com adultos, amigos, tocar em brinquedos. E não pode haver isso. Como vamos explicar isso a crianças de um ano ou dois e até mesmo a bebés de meses?”, questionou.

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