SR. MAGALHÃES

Nome completo
José Maria Baptista Magalhães
Nascimento
16 de dezembro 1944
Guimarães, Portugal
Profissão
Reformado(Empresário da Indústria Têxtil)

O seu reinado durou mais do que os de alguns monarcas reais. Foi durante 25 anos o D. Afonso Henriques das Danças de São Nicolau, um dos números que compõem as Festas Nicolinas. Quando cheguei à casa do José Maria Magalhães, o Magalhães para os amigos, pediu- me para entrar apressada porque não queria que as diferenças de temperatura do já finalmente frio mês de novembro o pusessem de cama. Afinal, no dia seguinte, era dia do Pinheiro. A sala onde me recebeu revela a vida deste velho Nicolino.

À entrada duas caixas pousavam lateralmente, que não se podem guardar em pé para as cordas não desgastarem os aros. Ao lado delas, uma estante em ferro ostenta, entre outras recordações, a lembrança dos seus 35 anos de pertença à Associação dos Antigos Estudantes do Liceu de Guimarães. Na companhia de Júnior, o cão que foi prenda para o neto mais velho – os dois netos de quem fala embevecido e de quem mostra fotos -, Magalhães assiste ao Boavista x Vitória. Aos 42 minutos, os axadrezados marcam e o bom velho D. Afonso Henriques desliga a televisão. “Não posso ver o Vitória a perder, enervo-me”. Com a TV no off, liga-se ao Youtube para me mostrar as idas Danças de São Nicolau de 1997, quando passou a espada à “Muma” que haveria de a entregar ao Zé Ribeiro, que é, ainda hoje, rei neste número das Festas Nicolinas.

Na mesma ocasião falou pela primeira vez do Monumento ao Nicolino, que viria ser concretizado em 2008. Procura outro vídeo. O do concerto dos Expensive Soul com a Orquestra de Guimarães liderada por Rui Massena, num dos eventos da Capital Europeia da Cultura 2012. Sabe ao certo o minuto em que os Nicolinos entram em palco para mostrar ao público do Multiusos e da televisão o toque do Pinheiro. Assim vai viajando pelas memórias e eu vou com ele. Na parede dessa sala há um quadro a óleo de um carro antigo. Outra das suas paixões, taco a taco com as Nicolinas. Tem quatro relíquias e volta e meia os amigos dos filhos (tem dois rapazes de 32 e 27 anos) lá o cravam para levar a noiva ao altar num clássico. Noutra parede as fotos de reuniões de na altura novos e agora velhos Nicolinos. Emociona-se a apontar os que já não estão entre nós e recorda a postura do pai que morreu aos 93 anos.

Reconhecia que viver muito tempo pode ser demasiado por vermos partir os que amamos. Dói-lhe a partida do José Martins Faria, que o precedeu no cargo de presidente da Assembleia Geral da AAELG. José Maria Magalhães esteve sempre envolvido nos órgãos diretivos desta associação, que é uma das responsáveis pela preservação das tradicionais Festas Nicolinas. Homem do seu tempo, defende que as Festas se vão modernizando. Mas também já se chateou com o, muitas vezes desorganizado, cortejo do Pinheiro. “Ó menina, uma vez eram quatro da manhã, eu estava a cear no Vira Bar e o Pinheiro só àquela hora é que estava a passar na Alameda!”, indigna-se.

Já me mostrou o álbum dos seus 25 anos de D. Afonso Henriques, os vídeos do Youtube, as fotos nas paredes. É hora de voltar a ver como está o Vitória. “Olha! Está empatado”. Já fica mais otimista. A conversa vai longa e são horas de despedir. Desejo- -lhe um bom Pinheiro – vai jantar com a Associação das Comissões das Festas Nicolinas, organização de antigos Nicolinos da qual também faz parte, ao Florêncio. Quando já estou no carro, liga-me a dizer: “Menina Catarina, só para lhe dizer que marcamos mais um golo e que o Vitória ganhou”. Há-de ser bom augúrio para o fim-de- -semana de festa.

Por: Catarina Castro Abreu

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