Tempos da Covid

Por Mariana Silva,
Deputada na Assembleia da República (Os Verdes)

O tempo corre em Guimarães, tal como em todo o território português, lentamente, sem que se veja a luzinha ao fundo do túnel de que falaram o senhor Presidente da República e o Primeiro Ministro.

Porque ver a luzinha no fim do túnel será, voltar ao nosso dia-a-dia, com mudanças comportamentais até que se perceba mais deste vírus e que possamos acompanhar os nossos sem que a consciência nos diga que podemos estar a errar.

No entanto, quando a luzinha aparecer clara e luminosa será ainda tempo de reforçar a luta, de usar as forças nestas medidas de isolamento e prevenção. Sabendo que o que se adivinha é a falta de futuro para milhares de trabalhadores que viram os seus direitos ser atropelados sem que, em grande parte das vezes, fosse necessário.

Os grandes grupos correram para o lay-off guardando os vistosos lucros que vão sendo anunciados aos 4 ventos, sobrecarregando a Segurança Social e limitando os apoios para pequenas e microempresas que necessitam tanto dele, porque quase sempre funcionam com os dinheiros do dia-a-dia.

Pede-se a solidariedade de todos, apela-se aos números que se cantam nos programas de televisão vezes sem conta, para que todos participem, para que todos apoiem, para que todos ofereçam aquele euro que ninguém sabe se faz falta no fecho das contas mensais.

E quem apelou às grandes empresas para pagarem os salários aos seus funcionários com os lucros distribuídos pelos acionistas? E quem obriga os hospitais privados a prestar cuidados de saúde ao mesmo valor que é gasto no Serviço Nacional de Saúde?

Vários são os desafios com que nos confrontamos no presente e nos confrontaremos no futuro. E este fim-de-semana de Páscoa foi o exemplo disso, entre as cerimónias tão marcantes deste festejo religioso, ouvíamos o anúncio das soluções para se dar continuidade ao 3º período do ano lectivo 2019/2020.

Acompanhados da certeza de que foi pelo fecho das escolas que se fizeram as grandes alterações de rotinas, é também através dessa certeza que sabemos que, quando as escolas abrirem, todo um conjunto de outras actividades terão de abrir também as suas portas.

Neste cenário o Governo decidiu que o 3º período será de estudo em casa para os alunos até ao 10º ano deixando em aberto a possibilidade das escolas em Maio poderem abrir para os alunos do 11º e do 12º ano para que possam preparar os exames.

Ora, a posição dos Verdes é muito clara, neste estudo em casa que será feito através da televisão, internet e o esforço inigualável dos professores e encarregados de educação, não podem ser leccionados conteúdos novos para não aprofundar as desigualdades já bem vincadas.

É também certo para os Verdes que, em caso de aulas presenciais para os alunos do 11º e 12º anos, é essencial que seja garantida a segurança e higiene aos alunos, professores e auxiliares de educação. Impõem-se inúmeras regras de higienização frequente de todas as superfícies, mesas, cadeiras, corrimões, puxadores, entre outras, como o afastamento social que com a dinâmica juvenil nos parece ser mais difícil de cumprir.

Por isso, torna-se essencial pensar em todas as alterações que terão que ser feitas para reabrir as escolas só por causa dos exames. A saúde pública poderá ser posta em causa apenas por causa dos exames? É esse o objectivo principal da Escola?

Artigo de opinião publicado na quarta-feira, 15 de abril, no jornal Mais Guimarães.

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