Um vacinado e não negacionista

Por Eliseu Sampaio,
Diretor do grupo Mais Guimarães

Nunca é fácil escrevermos contra a corrente, assumirmos uma opinião contrária à maioria e que, naturalmente, será contestada por muitos. Mas, ainda assim vale a pena procurar exprimirmos o nosso ponto de vista, a nossa perspetiva, já que considero que isso enriquece o debate e, por consequência, leva a opiniões e decisões mais ponderadas.

Estou vacinado desde junho com a vacina contra a covid-19, da Jansen. A minha filha, de 13 anos, está também devidamente vacinada, com duas doses da Pfizer. O meu filho, com 7, ainda não. Tudo conforme as regras: ando de máscara em espaços fechados, apresento o certificado quando solicitado. No entanto vivo, tenho procurado viver!

Nesta terça, dia 7 de dezembro, quando escrevo esta crónica, estão internados nos hospitais portugueses 936 pessoas e há 133 nos cuidados intensivos, diagnosticadas com covid-19. Em fevereiro de 2020, num período realmente difícil, chegaram a estar internadas 9.000 pessoas e mais de 800 nos cuidados intensivos, com diagnóstico similar.

A minha opinião, e vale o que vale, mas que é escrita após alguma ponderação, o que assistimos mais não é do que uma forma de se evitar o caos que se vivia sistematicamente nos hospitais portugueses a cada inverno, até 2019, com gente pelos corredores a passar mal com falta de assistência ou assistência insuficiente.

Passaram-se quase dois anos da chegada da pandemia, e muito pouco se fez para melhorar a resposta do Serviço Nacional de Saúde. E, para piorar o cenário, a perspetiva, com o muito dinheiro que aí vem do Plano de Recuperação e Resiliência, é que pouco será investido nesta área que se tornou tão crucial.

É fácil de perceber que os países que melhor reforçarem os seus sistemas de saúde, melhor preparados estarão para enfrentarem os desafios no futuro, evitando medidas tão restritivas como as que estão a ser adotadas e que, para além de todos os prejuízos económicos e sociais, limitam, muitas vezes de forma descontextualizada e desproporcional, algumas das nossas liberdades fundamentais.

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