Vitória: mudar de vida

Por César Teixeira.

No próximo dia 5 de março decorrerão as eleições para os órgãos sociais do Vitória. Mais uma vez numa situação de instabilidade. Que se reflete numa situação financeira preocupante. Que motivou a rejeição do Relatório e Contas apresentado aos sócios pela Direção de Miguel Pinto Lisboa.

A instabilidade associativa tem sido recorrente desde praticamente o início do século. Que coincide com uma dificuldade de afirmação desportiva do Vitória. Que, qual montanha russa, oscila entre momentos bons, medianos e maus. Que tem permitido que clubes outrora menores alcancem, hoje, resultados desportivos que outrora eram nossos. Infelizmente, o Vitória não tem conseguido entrar num registo de normalidade associativa. Facto que deve merecer a reflexão de todos nós.

Em Guimarães vive-se o Vitória intensa e apaixonadamente. O que é manifestamente positivo. Para mais se olharmos para o que se passa num País desportivamente tomado de assalto por eucaliptos que impedem a afirmação de outros clubes no panorama desportivo. Facto acentuado pela tradicional centralização de Portugal, em torno de Lisboa e do Porto. E com a ausência, no resto do País, de malhas urbanas consistentes permitam a criação de clubes com dimensão associativa.

Mas se a paixão pode ser um sentimento positivo, pode também retirar lucidez. Motiva reações emotivas, reflexas e pouco racionais. Talvez aquela que é a nossa grande virtude – a paixão com que vivamos o dia a dia do Vitória – seja o nosso ponto fraco. Perturbando a razão. Tão necessária para que seja tomado, em cada momento histórico, a opção mais adequada à defesa dos interesses do Vitória. Na verdade, os últimos ex-Presidentes da Direção do Vitória cessaram funções em condições de instabilidade. Sem que o respetivo mandato fosse cumprido até ao fim. Foi assim com Pimenta Machado. Com Vítor Magalhães. Com Emílio Macedo da Silva. Com Júlio Mendes. Todos, seguramente, cometeram erros. Os factos falam por si. Mas a gestão sobre brasas retira lucidez. Inibe a razão. Impede visão estratégica. Que se reflete no estado em que estamos.

Ao longo dos quase 35 anos de sócio senti muitas alegrias. Nunca haverei de esquecer o que senti no dia em que conquistámos a Taça de Portugal. Momento único. Que espero e desejo se volte a repetir. Sendo certo que uma segunda taça nunca será vivida como foi a primeira.

Também senti muitas tristezas desportivas. Mas estas fazem parte das contingências. Perder ou ganhar é desporto. As verdadeiras tristezas foram sentidas no patamar associativo. Desde logo a célebre “Assembleia dos Capangas”: uma mancha na nossa História. Foi com semelhante preocupação que assisti ao incidente que, neste processo de apresentação das candidaturas ao sufrágio de 5 de março, motivou a exclusão de cerca de 500 assinaturas da lista de subscrições apresentada pela candidatura de Miguel Pinto Lisboa.

O Vitória vive momentos historicamente difíceis. Muito preocupantes em termos financeiros. Desmotivantes em termos desportivos. Delicados em termos associativos.

Em termos financeiros em crise. Criada e/ou agravada no decurso do corrente mandato. Com as contas do Vitória rejeitadas pelos sócios. Com a SAD a ter de apresentar aos acionistas um plano de recuperação face à dimensão do passivo.

Desmotivantes em termos desportivos, porque absolutamente medianos. O Vitória, no mandato da atual Direção, não conseguiu aquele que deveria ser um objetivo mínimo: o apuramento para as competições europeias. Nem mesmo tendo presente que na última época o sexto lugar daria acesso à “Conference League”.

Em termos associativos o Vitória vive em permanente turbulência. Persistindo um grande fracionamento entre os sócios. Que impede ou dificulta que possamos atingir os patamares por todos ambicionados.

Dia 5 de Março os vitorianos são novamente chamados às urnas para eleger os órgãos sociais para o próximo triénio. Do meu ponto de vista, o Vitória tem de mudar de vida. Dia 5 de Março sinto que, enquanto sócio, devo contribuir na medida das minhas possibilidades para a mudança. É fundamental que o Vitória mude. É fundamental trazer confiança e responsabilidade ao nosso Vitória. É necessário recuperar financeiramente e unir a massa associativa. Para que, tão cedo quanto possível, possamos ir ao D. Afonso Henriques por gozo e não por mero dever. Que possamos, em cada jogo, sair do estádio mais felizes do que quando entrámos.

Respeito quem deu o melhor de si nos últimos três anos enquanto dirigente do Vitória. Mas estou convencido que os atuais órgãos sociais estão esgotados. São incapazes de dar ao Vitória o que o Vitória necessita. É imperioso mudar. Para assegurar a continuidade do nosso Vitória. Não acredito que quem nos trouxe ao estado em que nos encontramos, seja capaz de encontrar receitas diferentes.

Passado o incidente decorrente das listas de subscritores, desejo que a campanha eleitoral seja calma. Serena. Tranquila. Esclarecedora. No dia 6 de março o Vitória tem de continuar. No dia 6 de março apenas haverá vitorianos. Não pode haver vencedores ou perdedores. Quem ganha tem de saber ganhar. Procurar a harmonia. Construir pontes. Quem perder tem de respeitar a legitimidade dos novos órgãos sociais. Passar a ponte e não cavar trincheiras.

Nasci vimaranense. Cresci vitoriano. Espero legar aos vindouros um clube melhor do que aquele recebi. Por isso dia 5 de março votarei pela mudança. É isso que impõe a minha consciência vitoriana. Manter o Vitória. Mudar de rumo. Mudar protagonistas. Viva o Vitória!

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