A COERÊNCIA NA FALTA DELA

por RUI ARMINDO FREITAS
Economista

O exercício da actividade política deve ser sempre um exercício que tenha como interesse último a comunidade. Infelizmente, somos diariamente confrontados com inúmeras situações em que os agentes políticos invertem esta ordem e pensam primeiro em si próprios, no seu partido, e só depois na comunidade, seja ela o concelho ou o país.

O último mês de Outubro marcou a passagem de 2 anos de mandato autárquico e cumpre pois, avaliar o comportamento dos agentes políticos até à data. Devo recordar que este mandato assinalou a entrada em funções de um novo executivo municipal, bem como um renovado elenco na vereação.

Estes novos protagonistas tiveram já de se pronunciar sobre algumas questões críticas para a gestão municipal. Daqui emergiu que os vimaranenses puderam contar com uma oposição responsável construtiva e acima de tudo que apresentou soluções para problemas para os quais o actual executivo não apresentava saída. Foi assim com a solução apresentada pela coligação Juntos por Guimarães para a bacia de retenção da ribeira de Couros, solução que acabou por ser a implementada por ser a que se mostrou tecnicamente mais capaz de resolver o problema, na solução do imbróglio das Régie-Cooperativa/ empresas municipais, na qual a coligação JpG foi determinante para tirar a CMG do beco sem saída onde se havia colocado, ou mesmo na questão da via do Ave Park, que depois de muita discussão, parte da proposta da coligação passou a ser a adoptada. Assistimos, em Guimarães, a uma forma madura de fazer política por parte da oposição, que se preocupou mais com a solução dos problemas da nossa terra do que com a paternidade das ideias que apresentou. Já do outro lado assistimos a um executivo que se preocupou sempre mais em tentar mostrar que todas as ideias são suas, do que arranjar soluções. Importou mais rejeitar as soluções apresentadas pela oposição, para a seguir apresentar as mesmas, com diferenças quase imperceptíveis, como suas. Importou mais ser coerente na rejeição de tudo o que não venha do seio do executivo, do que a incongruência de defender uma coisa e acabar a aplicar o seu contrário apresentando-o como seu! Por parte do PS assistiu-se a uma obsessão pela  rejeição das propostas das outras forças políticas, por birra ou por algum tipo de complexo. A mais recente rejeição, por mera birra partidária, surgiu na semana que passou com a rejeição por parte do executivo da duplicação de verbas para as freguesias. A medida apresentada pela coligação JpG, defendia a duplicação da dotação do orçamento municipal para as nossas freguesias, num montante, que ao leitor poderá parecer à primeira vista demasiado oneroso, mas que, se implementado, representa não mais do que 5% do orçamento municipal. Ora se tivermos em conta que as nossas freguesias são entidades legitimadas pelo voto, e em que todos os cidadãos depositam confiança para que estas exerçam política de proximidade, decorre como lógico que esta medida permite dotar as freguesias dos meios para fazerem, de forma independente, aquilo que lhes foi, por todos nós, confiado. Cumpre também dizer que do quadrilátero urbano Guimarães/Braga/Barcelos/Famalicão, Guimarães é o concelho que menor verba transfere, em termos relativos, para as suas juntas de freguesia. Mas a pergunta que se impõem é, terá esta medida sido rejeitada, como de costume, para ser vestida com uma nova capa e ser apresentada como da lavra deste executivo? Uma coisa é clara, sabemos quem a rejeitou e isso fica para memória futura, porque, com toda a certeza estaremos todos atentos, no dia em que ela chegar.

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