ANTÓNIO MOTA PREGO

Nome completo

António Mota Prego

Nascimento

27 de fevereiro de 1944

Barcelos

Profissão

Advogado

Mota Prego é um político e advogado de referência na cidade de Guimarães. Nasceu em Barcelos, em 1944, e pouco tempo depois, aquando do nascimento do irmão mais novo, veio viver com os avós e três tias, para a cidade-berço. Começou a estudar numa escola primária particular, com uma professora alentejana, fisicamente diminuída, que lecionava para passar o tempo. Contudo, realizou os exames normais da época, para poder concluir o ensino primário. Foi ainda por volta dos 15 anos, quando estudava o 6º ano do liceu, que decidiu que Direito seria a área que realmente queria estudar. Foi estudar para Coimbra (na altura o curso de Direito era lecionado apenas em Lisboa e Coimbra), onde já conhecia alguns amigos vimaranenses. A universidade marcou uma época muito ativa e intensa para Mota Prego. Chegou em 1961, numa altura em que se vivia uma grave crise académica, recheada de intervenção política. Durante a sua formação, a universidade esteve sempre em tensão, devido à revolta estudantil. Foi em Coimbra que surgiu o gosto pela política, ainda durante a sua formação. Aliás, em 1962 Mota Prego acaba por passar dez dias na prisão de Caxias, fruto de uma intervenção numa manifestação política.  Apesar de tudo, esteve sempre muito envolvido nas atividades universitárias, num espírito académico muito semelhante ao de hoje, apenas com “algumas diferenças fruto da evolução dos tempos”. As atividades académicas serviam de veículo através do qual se realizava muita atividade política. Participou, entre outros, em saraus que contavam com a presença da Tuna Académica e de várias encenações, onde se fazia humor em volta da política, sempre com o olhar atento da PIDE. Deu por terminado o curso em 1967, tendo realizado posteriormente um estágio, antes de ir para a tropa na Guiné, onde esteve exatamente dois anos. Curiosamente, durante o tempo de recruta em Mafra, presenciou bem de perto as manobras ditatoriais nas eleições. “Na altura, os militares também tinham o direito de votar, mas no quartel só havia papeis com lista da União Nacional, portanto não havia listas da oposição. Todavia, de alguma forma, acabaram por surgir papeis com outras listas, o que causou uma perturbação enorme no quartel, de tal forma que foi cancelada a possibilidade de se votar naquele local”.  Teve um contributo muito direto para o 25 de abril através de uma ligação a um militar, com quem fazia parelha. Depois desse marco histórico decidiu aliar-se ao Partido Socialista, “por ser o partido com o qual mais se identificava”.

Fundou, em 1974, a secção do Partido Socialista em Guimarães

Ainda em 1974 fundou, sozinho, a secção do PS em Guimarães, no largo da Misericórdia. Colocou uma bandeira na varanda e de imediato apareceram várias pessoas a juntarem-se. Realizou vários debates e comícios para falar sobre a democracia, no centro da cidade e em várias freguesias. Ingressou nos órgãos superiores do PS, nomeadamente na Comissão Nacional, “até sentir que devia dar o lugar a outros”. Esteve na Assembleia Constituinte, mas acabou por regressar a Guimarães, onde, em 1976, foi eleito para a primeira Câmara Democrática.  Esteve ligado à Assembleia Municipal desde 1985 até junho deste ano, assumindo o cargo de presidente durante vários anos, sendo conhecido como um presidente muito ativo e agitador: “contribui para que houvesse algumas divergências na Assembleia, até dentro do PS, causando-me muitas dificuldades, que consegui ultrapassar”. Na última Assembleia em qual participou, foi elogiado por todos os deputados, inclusive da oposição. Para Mota Prego, não o fizeram por ser um bom ou mau político, mas sim “pelo modo como exerci todas as minhas funções e pelo meu modo de ser. Deixo uma memória simpática”.

Por: Luís Freitas

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