ARMANDINHO DESCE RÁPIDO

“Não é qualquer um que descia a Penha naquilo,” diz José Pereira, atleta de Down-Hill, e treinador de Armandinho, sobre as descidas que este fazia numa bicicleta muito rudimentar.

De facto o Armandinho tem agora uma Specialized vermelha, uma verdadeira máquina para um atleta de Down-Hill. “Foi a comunidade da modalidade que se reuniu para angariar fundos para comprar esta bicicleta para o Armandinho,” explica José Pereira, o grande mentor da ação. No dia 15 de novembro, na gala da ACM, foi o momento de entregar a bicicleta perante toda a comunidade das duas rodas da região minhota. Armando emocionou-se com as palmas, mas sobretudo com a boa vontade que encontrou entre os que como ele têm paixão pelas descidas de bicicleta.

Um dia normal na vida do Armandinho começa bem cedo, em Rendufe, de onde parte com a sua bicicleta em direção a Ponte, onde frequenta o centro de atividades ocupacionais da CERCIGUI. O presidente da direção da CERCIGUI, Rui Leite, confessa que “estaríamos mais descansados se ele fosse na carrinha, mas ele prefere andar de bicicleta.” Ao fim do dia de actividades, que muitas vezes incluem trabalhos cansativos, Armandinho volta a pegar na bicicleta e pedala de volta até à casa onde vive com a avó, perto de São Torcato. Em dia de treino, volta a pegar na bicicleta para pedalar até Guimarães, onde se junta com a sua gente do Down-Hill, para descer a Penha a velocidades vertiginosas. No fim do treino, os colegas, cansados, colocam as bicicletas nas barras do tejadilho dos carros para voltar a casa. Armando continua a treinar enquanto pedala até casa. Tudo isto já seria muito se fosse feito numa bicicleta normal, mas no caso, é feito com uma bicicleta de Down-Hill, muito mais pesada e com uma posição boa para descer, mas desconfortável para pedalar.

Armando tem uns amigos que jogam futsal em Fafe, por isso, sempre que o convite surge, da Penha ainda vai a Fafe jogar uma partida, antes de rumar a casa da avó para jantar e dormir. Toda esta paixão, que não é só pelo desporto, é pela própria vida, não passa despercebida a ninguém. Talvez por essa razão se perceba que Armandinho tem amigos por todos os lados onde anda. O diminutivo demonstra bem o carinho que colhe dos que estão à sua volta. “Além de tudo é um excelente trabalhador e voluntarioso para ajudar,” acrescenta Rui Leite.

 

Armandinho Voa no Parque da Cidade

Armandinho Voa no Parque da Cidade

O Armandinho tem um deficit cognitivo desde o nascimento, mas isso não o impede de lutar todos os dias com as dificuldades, sempre com um sorriso nos lábios. “Infelizmente há gente má, que se serve da ingenuidade do Armandinho”- explica o presidente da direção da CERCIGUI – “chamam-no para trabalhar, dizem que lhe vão pagar e depois não lhe pagam.” Armando acena que sim com a cabeça, mas sorri sempre, o sorriso nunca para de lhe iluminar o rosto.

Só quando falamos da família é que, por um breve momento, o rosto se lhe turvou. Passamos à frente, ficamos a saber que já não tem pai, que vive com uma avó e que do resto é melhor não falar para não estragar uma bela tarde de sol no Parque da Cidade.

No parque, em cima da bicicleta, está no seu elemento natural. José Pereira reconhece-lhe um talento natural para a modalidade. Para já, na falta de uma categoria de ciclismo adaptado no Down-Hill, terá que continuar a competir em Elite ou Master 30, como fez nas três provas em que já participou. No futuro veremos se aparecem mais para-ciclistas no Down-Hill, inspirados pelo seu exemplo. No próximo ano Armandinho já tem equipa, vai competir pelo Desportivo Jorge Antunes. Conta com alguns apoios, entre os quais a Get Pro Sports Agency, do seu amigo e treinador José Pereira.

Ficamos a ver o Armandinho evoluir por escadas, rampas e outros obstáculos, com a certeza de que voltaremos a ouvir falar deste atleta.

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