Crimes de Natal

por José da Rocha e Costa

O Natal deste ano promete ser diferente dos Natais a que estamos habituados. Ainda não é certo quais as restrições que irão vigorar durante a época festiva, mas é de esperar que haja algumas limitações, nomeadamente no número de pessoas que se poderão reunir em cada casa. Mas enquanto esperamos pela deliberação do Governo em relação ao que vai ou não ser permitido, vamos fazendo os preparativos, tal como faríamos noutro ano qualquer. Aproveitamos os sábados de manhã para atulhar os supermercados e os centros comerciais de pessoas até as portas automáticas já não conseguirem fechar, tudo isto na frenética busca de presentes para oferecer aos nossos estimados familiares. Compramos o vinho e o bacalhau essenciais para a ceia de Natal… E por falar em bacalhau: parece que na segunda-feira foi assaltada uma peixaria em Serzedelo, tendo sido roubados 100 quilos de bacalhau seco. Não sei se é a pandemia que está a deixar os larápios desesperados, uma vez que com muitos estabelecimentos a fechar, há cada vez menos coisas para assaltar, ou se é o bacalhau que se está a tornar num bem precioso.

Se bem se lembram, há alguns anos atrás, Mário Jardel, o antigo jogador de futebol e, na altura deputado estadual do Rio Grande do Sul, regressava ao Brasil após uma viagem a Portugal, quando lhe foram apreendidos dez quilos de bacalhau que Jardel transportava numa mala. Já na altura a polícia brasileira teve “faro” para a coisa, não tivesse Jardel um passado ligado a substâncias ilícitas, que de resto o próprio já havia confessado, e não foi no engodo, considerando o tráfico de bacalhau como uma potencial actividade criminosa.

No caso de Jardel, a empreitada não foi muito bem planeada, pois qualquer cão farejador conseguiria detectar a presença do bacalhau, qual Quim Barreiros a cheirar o bacalhau da Maria. Aliás, o talento para o crime, ao contrário da veia goleadora, não é uma das características que definem Jardel, já que pouco tempo depois este foi apanhado num vídeo a receber dinheiro indevido, no exercício das suas funções de deputado.

Mas no caso dos ladrões de Serzedelo, a jogada não foi mal planeada, uma vez que na altura do Natal o que não falta é bacalhau por aí espalhado, tornando assim mais fácil infiltrar o produto roubado na comunidade sem o risco de se ser apanhado. Há quem diga que nos momentos de crise surgem novas ideias de negócio e oportunidades para serem aproveitadas pelas mentes mais engenhosas. Este grupo de assaltantes pode incluir-se certamente nessa categoria de empreendedores que, certamente habituados a roubar outro tipo de mercadorias, se adaptaram aos tempos em que vivemos e decidiram diversificar.

Ao resto da população, resta aguardar pacientemente para saber se podemos estar com a família reunida, pelo menos uma vez neste ano tão solitário e ir sonhando com um 2021 mais normal, com a vacina que está a caminho e, se possível, sem tráfico de bacalhau, que o diga o dono da peixaria de Serzedelo.

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