Domingos Castro

Nome
Domingos Castro

Naturalidade
Azurém

Profissão
Músico

Na passada quarta-feira, 21 de abril, “a música tradicional portuguesa ficou mais pobre”.

Esta frase é repetida incessantemente, entre várias homenagens encontradas nas redes sociais, a propósito do falecimento de Domingos Castro. Considerado um dos maiores tocadores de cavaquinho em Portugal, o vimaranense era conhecido precisamente como o “Mestre do Cavaquinho”. “Um grande artista da música tradicional portuguesa e do Cavaquinho que fala, em particular. Nas suas mãos, o som estridente de uma qualquer melodia”, descreve, por exemplo, o grupo SolMinho.

Domingos Castro nasceu em 1960, é natural de Azurém e aprendeu a tocar cavaquinho aos nove anos, ensinado pelo pai. Posteriormente, fez parte parte do Grupo Folclórico Infantil de Fermentões. “Era um homem da música por quem tinha muita simpatia e um tocador como havia poucos”, recorda ao Mais Guimarães Daniel Fernandes, cantador ao desafio. “No lugar da ponte, onde acaba Azurém, convivia com ele num café, tipo tasco, que se chamava Meia Lua”, lembra. Era nesse café que se juntavam para cantares ao desafio. “Estamos a falar de algo que aconteceu há 20 anos, nos meus inícios de cantar ao desafio. Juntávamo-nos la com o seu pai. Lanchávamos, bebíamos uma canequinha e cantávamos ao desafio”, conta.

“A sua paixão era o cavaquinho”

Nos últimos anos, Daniel Fernandes não convivia com a mesma frequência com Domingos Castro, mas lembra-se que o amor pelo cavaquinho era já de família. “O pai dele era grande tocador de cavaquinho. Foi um amor que começou no pai e passou para os dois filhos” explica. Domingos Castro era “filho de uma família humilde”. O pai era o “sapateiro da ponte” e ele próprio trabalhou na área do calçado. “Mas a sua paixão era o cavaquinho”, frisa.

Mestre do Cavaquinho e um “fora de série”

Domingos Castro fazia parte do grupo de Cantares Populares “Os Amigos do Borguinha”. O grupo foi formado oficialmente a 25 de Fevereiro de 2008, na freguesia de São Mamede de Este, no concelho de Braga, onde realizavam os ensaios. Percorrem o país, com especial destaque para o minho, entre festas populares, concertos e muita animação.

“Conhecemo-nos nas borgas, nas romarias. Ele tocava cavaquinho, eu toco concertina e assim começámos”, revela o criador do grupo, Borguinha de Braga. O tocador de concertina bracarense conta que partilhou o palco “centenas de vezes” com Domingos Castro. “Sempre disse que aquele homem o mestre do cavaquinho porque tocava aquilo como ninguém. Desde aí, chamávamos-lhe o Mestre. Era sempre assim que o apresentávamos nos espetáculos”, recorda. Para o Borguinha de Braga, Domingos Castro era mesmo um “fora de série”.

Esse envolvimento valeu-lhe reconhecimento no mundo da música popular nacional. “Era muito conhecido no mundo da música tradicional portuguesa, também a nível de emigrantes. Nas redes sociais vemos mensagens de sentimentos de muita gente, de emigrantes nossos amigos e deles. Toda a gente o conhecia. Era uma boa pessoa”, relata Daniel Fernandes.
Entre centenas de mensagens nas redes sociais, le-se, por exemplo, a de José Amorim: “A sua forma brejeira e muito tradicional de tocar cavaquinho fez dele um dos maiores e mais conhecido tocador de Cavaquinho em Portugal”, escreve.

Outra mensagem é deixada, por exemplo, por Herminio Pedro Gomes, que frisa que o cavaquinho de Domingos Castro “irá sempre tocar e dar os sons eternamente”. “A música tradicional portuguesa ficou mais pobre. Perdeu um dos seus filhos”, finaliza.

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