ESTUDAR E TREINAR É OPÇÃO DE SUCESSO

Estudar ou treinar? É a pergunta que se coloca a muitos estudantes e encarregados de educação no início de cada ano letivo. Frequentemente os treinos são deixados de lado para apostar na carreira académica. As evidências provam que pode não ser a melhor opção.

Estudar não tem de ser incompatível com os treinos de qualquer modalidade. A prova disso é que entre a comitiva olímpica que se desloca ao Rio de Janeiro, num total de 92 atletas, sete são atualmente estudantes universitários. Entre estes está o vimaranense Rui Bragança, finalista de Medicina na Universidade do Minho (UM), Francisca Laia (canoagem), estudante de Medicina na Universidade de Coimbra e Marta Onofre (salto com vara), recentemente licenciada em Medicina pela Universidade de Lisboa. Os três são a prova de que estudar e treinar, ao mais alto nível, é possível, mesmo quando se trata de cursos difíceis.braganca_evora

Daniela Cardoso, no atletismo, Filipa Martins, na ginástica e Vânia Neves e Diogo Carvalho, na natação, são, além de Rui Bragança, Francisca Laia e Marta Onofre, os outros estudantes-atletas presentes no Rio de Janeiro.

Estes atletas, ao longo dos últimos anos, além de estudar, participaram nos campeonatos das respetivas federações, a nível nacional e internacional e paralelamente participaram nos campeonatos universitários, como a Universíada de Verão 2015, decorrida em Gwanju, na Coreia do Sul. Na maioria dos casos estes atletas acabam por ter um programa, mais preenchido do que os atletas que não estão ligados à universidade.

Para Hugo Serrão, o treinador de Rui Bragança, “é tudo uma questão de disciplina, sem a qual não é possível obter resultados nem nos estudos nem no desporto”. Estes jovens têm um horário muito preenchido desde muito novos. No caso de Rui Bragança, se considerarmos o ano de 2007, em que conquistou o primeiro campeonato da Europa de juniores, como ano de arranque, ele está ao mais alo nível há quase dez anos. Neste período teve de enfrentar o 12º ano, o acesso à universidade, a adaptação ao meio académico e o afastamento da família. Tudo isto foi superado com sucesso, quer nos estudos quer no desporto.rui_vitoria

Não significa que seja fácil. Em 2012, Rui Bragança falhou a participação na olimpíada de Londres por “uma unha negra”. “Nessa altura pus tudo em causa, podia ter desistido”, dizia o atleta há poucos meses, fazendo uma retrospetiva do caminho que o trouxe até aqui. “Os desportos de combate e artes-marciais são em regra um exemplo, respeito, compromisso e desenvolvimento pessoal. Só tem que dar certo”, afirma Fernando Parente, diretor desportivo na UM, em face das seleções de judo e taekwondo fazerem o pleno com licenciados e estudantes do ensino superior.

Entre os sete estudante-atletas, destaca-se Diogo Carvalho por já ir na sua terceira participação nos Jogos Olímpicos, depois de Pequim 2008 e Londres 2012. Além destes sete extraordinários que participaram em Campeonatos Nacionais Universitários ou em Campeonatos do Mundo Universitários na época desportiva 2015/2016 ou na Universíada de Gwangju, em 2015, há mais 13 atletas que integram a missão portuguesa aos Jogos Olímpicos 2016 que também já brilharam no desporto universitário. Do Atletismo, Carla Salomé Rocha, Cátia Azevedo, Irina Rodrigues, Jéssica Augusto, Sara Moreira, Patrícia Mamona e Nélson Évora, da Canoagem, Fernando Pimenta, do Judo, Joana Ramos, Telma Monteiro e Sergiu Oleinic, da Natação, Alexis Santos, e por fim, o triatleta Miguel Arraiolos. Entre estes antigos estudantes-atletas, Fernando Pimenta e Nélson Évora acabaram por subir ao pódio em Jogos Olímpicos. O canoísta nos Jogos de Londres, em 2012, com a medalha de prata conquistada na prova de K2 1000, e Nélson Évora em Pequim 2008, onde ganhou o ouro no do triplo salto. Já campeão olímpico, Nelson Évora, participou em duas edições das Universíadas, em 2009 e 2011, conquistando o ouro nas duas participações.

Esta será a 24ª edição dos Jogos Olímpicos com presença portuguesa. No total das edições anteriores já se conquistaram 23 medalhas, 4 de ouro, 8 de prata e 11 de bronze. Entre estes medalhados, três eram atletas universitários: Fernando Pimenta, Nelson Évora e o judoca Nuno Delgado. Nunca a nossa delegação teve tantos atletas universitários e licenciados, prova que na hora de decidir entre o treino e os estudos, o melhor é escolher os dois.

 

 

 

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