EVA RIBEIRO

Nome completo

Eva Liliana de Carvalho Ribeiro

Nascimento

04 de maio de 1980

Azurém

Profissão

Professora

Filha da terra por ali estudou nos primeiros anos. Quando, no quinto ano, teve que fazer uma opção entre a cidade e São Torcato, escolheu a segunda opção e não se arrepende. “Fiz lá amigos, criei laços muito fortes”. Talvez isso ajude a explicar o facto de ainda hoje se confessar uma apaixonada pelo mundo rural. Completou os estudos secundários na Escola da Veiga e os últimos três anos na Martins Sarmento. Fala sempre com carinho dos professores, embora reconheça que também tem “uma gaveta” para guardar os de má recordação. A opção pelo curso de Humanidades, na Universidade Católica, em Braga, “foi mais pelo gosto enorme pela língua portuguesa, porque na realidade não sabia bem o que queria ser”. Na universidade encontrou uma enorme exigência, não tanto em termos académicos, mas mais em termos do relacionamento humano. Mas reconhece que foi fundamental na sua formação. “Hoje questiono tudo, não aceito nada simplesmente porque me é dado de uma determinada forma, isso é uma marca que me ficou daquela universidade”. Embora tenha conhecido pessoas muito diferentes, a Universidade Católica, em Braga, é um meio pequeno, diferente do que uma jovem espera da universidade, porém, “o contacto com jesuítas genuínos, daqueles que se dedicam completamente a causas”, valeu a experiência. Terminada a licenciatura ainda não tinha bem a certeza que queria ser professora. Imaginou-se a trabalhar num arquivo, ou numa biblioteca, mas, apesar disso, foi fazer o estágio pedagógico. Ganhou-se uma professora, porque só aí é que compreendeu que era aquilo que queria fazer. Apesar de já estar ligada ao ensino, porque havia anos que dava explicações, foi realmente ali que percebeu que era aquela a profissão que queria abraçar. “Mas também percebi que não era com os mais pequenos que queria trabalhar” – lamenta-se – “as turmas são enormes e há necessidades muitos distintas, é impossível fazer um trabalho em condições, por isso, prefiro trabalhar com gente mais velha”. No estágio em Fafe confrontou-se com meninos das aldeias com necessidades completamente diferentes dos meninos da cidade a quem tinha de dar o mesmo programa. Por opção pessoal nunca concorreu para longe. “Por um lado pelos fortes laços familiares que não queria romper, por outro lado sentia que não era aquilo que eu queria”. Acabou por se integrar no ensino para adultos através de uma ligação profissional à ADRAVE. Era o tempo das Novas Oportunidades, havia um forte investimento nestes programas e Liliana apanhou o barco. Aproveitou e fez formação em educação de adultos na Universidade do Porto. Começou a sentir que era realmente aquilo que queria fazer quando chegava aos meios rurais e encontrava gente, às vezes muito novos, que não sabiam ler. “Uma das coisas que tínhamos que fazer no projeto era a divulgação do mesmo e isso levava-me a perceber os problemas das pessoas e como nós podíamos ajudar”. Quando alguns colegas já começavam a ficar cansados de um projeto que foi muito intenso, Liliana via-se “a viver daquilo”. Quando a ligação à ADRAVE terminou, porque os projetos foram sendo cada vez menos financiados, ainda pensou em mudar de área. “Cheguei a pensar em voltar a estudar, mas o que eu queria mesmo era continuar a fazer aquilo que estava a fazer, por isso, estruturei o projeto”. O projeto é a Oficina das Letras, que hoje funciona na Junta de Freguesia de Azurém, com apoio da Câmara Municipal garantido até março de 2018. Ensina adultos, mas é mais do que um projeto de alfabetização, é um projeto de desenvolvimento cultural, que envolve a literatura, o teatro, as visitas a museus e bibliotecas, entre outras atividades. O projeto é muito o rosto da sua mentora que durante bastante tempo o manteve de pé, de forma completamente voluntária. Alimenta-se da gratidão que sente nestas pessoas e que não é vulgar encontrar num aluno mais jovem e “na dedicação com que se entregam às tarefas que lhes propomos”.

Por: Rui Dias

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