GUIMARÃES A TREINAR

Por todo o concelho há gente que treina ao fim-de-semana. Não têm clube nem treinador, não ganham medalhas e ninguém lhes bate palmas. Os desportistas informais são cada vez mais.

A reunião do grupo de amigos está marcada para as nove, ainda faltam 10 minutos e João já dá pequenas corridas para cá e para lá, no Parque da Cidade Desportiva, junto à Pista de Atletismo Irmãos Castro. Todos os domingos é o primeiro a chegar. “Gosto de chegar primeiro, para fazer uns exercícios de aquecimento”. Confessa que já teve lesões por começar a correr sem fazer aquecimento e que isso lhe serviu de lição. João pertence a um dos muitos grupos que neste parque, e noutros pelo concelho, correm sem pertencerem a nenhum clube, sem terem nenhum treinador e muitas vezes sem nenhum outro objetivo que não seja manter-se ativo. Enquanto o grupo do João vai tomando forma, na estrutura de street workout, dois jovens fazem exercícios que parecem desafiar a lei da gravidade, também por ali passam alguns grupos de praticantes de BTT. Os das bicicletas estão só de passagem, fazem duas voltas de aquecimento e arrancam à procura de outras emoções. Só ficam as duplas de pai e filho, a pedalar mais calmamente.

O grupo está pronto para arrancar, sete homens e uma senhora. São amigos de infância, colegas de trabalho e familiares. Na maior parte dos casos não se vêm durante a semana, alguns trabalham no Porto, porém, domingo às nove horas têm um compromisso e se alguém falta tem que telefonar porque senão o grupo fica preocupado. O ritual já tem dois anos, “com mais gente no verão, com menos agora que chegou o inverno”, explica João antes de arrancar. O grupo rapidamente se confunde com uma série de outros que por ali andam a treinar. A pista de atletismo é mesmo ali ao lado e, por isso, também ali correm atletas mais sérios. Estes nota-se pela maneira como correm que são de outros campeonatos. Há casais e senhoras que caminham em passo enérgico, mas que parecem paradas quando os corredores passam por eles.

À mesma hora que o João e os amigos começaram a correr, na Costa, o Miguel e o Luís davam duas voltas de aquecimento ao Parque da Cidade com as bicicletas de BTT. “Vamos subir a Penha, descer para o lado de Infantas, atravessar por Jugueiros, Fareja, até Cepães, depois voltamos pela pista de cicloturismo”. Por todo o concelho, aos fins-de-semana e durante a semana ao fim do dia, milhares de pessoas aproveitam as infraestruturas existentes para a prática desportiva informal. Há pessoas muito distintas, desde verdadeiros atletas amadores, passando pelos habituais grupos de amigos que se juntam para jogar futebol, pelos pais e filhos e pelos avós que fazem caminhada. Há um pouco de tudo nesta cidade que sai à rua para fazer exercício.

“As pessoas já perceberam que se querem ter mais saúde têm que se mexer”

O grupo do João acaba o treino às 11 horas. Dois foram embora mais cedo, por isso, são apenas cinco a fazer alongamentos de frente para os relvados do parque. Na centro dos enormes relvados há um jogo de futebol a começar e lá ao fundo na estrada passa um enorme grupo de ciclistas. “As pessoas já perceberam que se querem ter mais saúde têm que se mexer,” diz Eduardo, um veterano de outro grupo que também já terminou o treino. “ Com a crise as pessoas deixaram de ter dinheiro para ir aos ginásios, aqui só é preciso ter um par de sapatilhas,” segundo Eduardo é a razão para haver cada vez mais pessoas a fazer desporto na rua. Mas também pode acontecer o contrário, como no caso do Nuno, um praticante de Street Workout que começou na rua e agora também faz ginásio. “Há alturas do ano em que está muito frio, além disso, precisava de ajuda para desenvolver,” explica Nuno.

João despede-se do grupo, metem-se nos carros rumo a casa. Do outro lado da cidade Miguel e Luís já vêm a fazer as últimas centenas de metros da pista de cicloturismo. Quando chegarem ao final cada um mete pelo seu caminho em direção a casa. A manhã caminha para o fim e por todo o lado há pessoas a terminar os seus treinos e a regressar a casa.

Guimarães é uma cidade mobilizada para a prática desportiva informal. A sensibilização pelos médicos e a crise terão o seu papel, mas a existência de excelentes locais para a prática também são determinantes nesta massificação do exercício informal. A paixão da cidade, e pelo concelho em geral, pelo desporto exprime-se já não só na dedicação aos clubes e coletividades, mas na própria prática de cada um.

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