ICNF classifica como interesse público cedros de Creixomil e conjunto arbóreo em Ponte

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O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) classificou como arvoredo de interesse público dois exemplares de cedros, situados no cemitério da Atouguia, em Creixomil, bem como o conjunto arbóreo que constitui a mata de recreio da Casa da Ribeira, no lugar da Ribeira, em Ponte. Os despachos de classificação, após pedidos feitos pelos serviços do Município de Guimarães, foram publicados em Diário da República.

Segundo o despacho, os dois exemplares identificados em Creixomil apresentam “bom estado vegetativo e sanitário” e não aparentam “sinais de risco sério para a segurança de pessoas e de bens”. Além disso, apresentam “particular significado paisagístico”, pois são “árvores majestosas que marcam o sítio em que se encontram, impondo-se como elemento fundamental e indissociável do Cemitério Municipal da Atouguia e contribuindo para a qualidade visual daquele espaço, observável de vários pontos” da cidade.

Para o ICNF, a “particular importância e atributos” dos cedros são “reveladores da necessidade de cuidadosa conservação e justificam o relevante interesse público da sua classificação”. O ICNF classificou de interesse público também o conjunto arbóreo que constitui a mata de recreio da Casa da Ribeira, sito no lugar de Ribeira, freguesia de Ponte, do concelho de Guimarães.

De acordo com o despacho, a Casa da Ribeira é “uma casa senhorial de uma quinta rústica, cuja memória se perde no tempo”.  O arvoredo inclui mais de 30 espécies diferentes, predominantemente exóticas, “onde as espécies arbóreas, com uma altura aproximada de 30 metros, formam um copado contínuo”, pode ler-se no mesmo despacho. “Esta zona é contígua à Casa Principal e identifica-se como uma pequena mata de recreio ao estilo e cultura de finais do século XIX princípios do século XX, em que havia o gosto pelo colecionismo de plantas oriundas do oriente e do continente americano”, acrescenta-se.

O arvoredo também apresenta “bom estado vegetativo e sanitário”, encontrando-se em “bom estado de conservação, não aparentando risco sério para a segurança de pessoas e de bens e não se encontra sujeito ao cumprimento de medidas fitossanitárias que recomendem a sua eliminação ou destruição obrigatórias”.

O despacho indica igualmente que o espaço é de “particular significado paisagístico”, devido à presença de “um conjunto numeroso e diversificado de espécies arbóreas e arbustivas, em que a mistura de estruturas e cores de espécies folhosas e resinosas, bem como dos vários exemplares, origina uma composição singular e com elevado valor cénico, relevante na qualidade da paisagem, cumprindo-se o parâmetro de apreciação valorização estética do espaço envolvente e dos seus elementos naturais e arquitetónicos”.

“A particular importância e atributos do arvoredo que constitui a mata de recreio da Casa da Ribeira são reveladores da necessidade de cuidadosa conservação e justificam o relevante interesse público da sua classificação, relativamente à qual não se verificam quaisquer causas legais impeditivas”, descreve o despacho.

Quinta Ribeira motiva críticas dos moradores vizinhos

Recorde-se que é precisamente a propriedade da Quinta da Ribeira que tem vindo a motivar várias críticas por parte de moradores vizinhos do espaço. Na Rua Monte da Ínsua, atrás do muro de vedação da Quinta, com cerca de dois metros encontram-se árvores da espécie cedros, cuja altura varia entre os 15 e os 20 metros e, segundo os moradores, causam “um grande transtorno” e perigo.

O caso remonta a 2012, altura em que os vimaranenses fizeram chegar as suas reivindicações junto da Câmara Municipal, da Junta de Freguesia de Ponte e, posteriormente, da Proteção Civil. “A altura das árvores causa-nos um grande transtorno. Quando está chuva e vento, todas sementes que as árvores largam vêm parar aos nossos telhados. Esse lixo entope as caleiras de escoamento de águas, assim como janelas, portas e espaços privados”, lamentava, em outubro do ano passado, José Marques.

Os moradores, já entregaram um abaixo-assinado na autarquia, alertam igualmente para o perigo de queda de ramos de árvores, o que já terá sucedido por duas vezes.  A viver na mesma rua há quase 40 anos, José Marques destaca que a artéria “é o principal acesso à escola e que, para além disso, passa muita gente a pé. É um perigo público”, lamenta.

A resposta por parte do presidente da Junta de Freguesia de Ponte foi de que “há determinadas competências que são da Junta e outras são do município. Informamos sempre a Câmara Municipal e sei que esta tem sido diligente, tem notificado o proprietário”, conta. O próprio autarca admite ter receio de uma possível queda de árvores. “Caiu uma árvore no ano passado que, felizmente, não caiu em cima de ninguém, porém, pode cair em cima de uma pessoa, em cima de um carro, provocar danos… Eu já não sei o que hei de fazer mais. O que disse aos moradores é que têm a possibilidade de se insurgirem com uma ação”, avisa.

Sérgio Castro Rocha garante compreender “a angústia” dos moradores e assegura que já tentou resolver o caso, reunindo com os moradores, com a autarquia e com o proprietário da Quinta da Ribeira. “O problema é que basta chover ou estar vento que aquelas árvores, que têm umas sementes que se espalham, acabam por ser perigosas para o transito automóvel e pedonal”, frisa.

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