JORGE LOPES

Nome completo
Jorge Lopes

Nascimento
24/08/1981
Guimarães

Profissão
Empresário

É como se Jorge Lopes se tivesse colocado bem ao centro da Praça de Santiago, enchido os pulmões de ar e coragem e soltado um “Oub’Lá” carregado de sotaque. E a cidade, o concelho, enfim, as pessoas, atenderam àquela expressão tão nortenha, “usada como se fosse uma vírgula”, explica o proprietário do bar Oub’Lá, o número 25 no meio de tantas outras portas. “Desde há quase um ano e meio” que o “projeto mais pessoal” de Jorge atrai quem procura “uma alternativa” na vida noturna vimaranense.

E foi à procura de alternativas que o vimaranense chegou ao ponto em que se encontra hoje. “Comecei a trabalhar muito cedo, aos 14 anos, na área da restauração”, começa por contar.

A partir daqui já sabemos que o “bichinho” do negócio há de ficar até aos dias de hoje. Depois, aos 18, escolheu a carreira militar como caminho, algo que se manteve “durante sete anos”. Passou por cidades como Porto e Lisboa, mas, a certa altura, reparou que o seu “coração não estava naquilo”. Resultado? Decidiu ir estudar. “Terminei o secundário e depois entrei em Psicologia, na universidade”, recorda. Mas o “bichinho” estava ali, a remoer; a restauração tinha-o conquistado logo aos 14 anos.

“É ter aquela ideia de ter um bar onde pudesse passar a música que gosto, com os meus amigos e numa zona tão central”

“Surgiu a oportunidade de abrir uma pastelaria, a Orfeu, em Pevidém, em 2008”, estabelecimento que manteve até 2013. E se Orfeu terá sido o poeta mais talentoso que alguma vez vivera, então a poesia de Jorge passou de uma pastelaria para uma pizzaria, com o mesmo nome, que ainda hoje se mantém em funcionamento. É como se fosse a irmã mais velha do Oub’Lá. Ambos os projetos dividem-lhe a atenção e ele desdobra-se em trabalhos. Mas o Oub’Lá é o “sonho” — e ninguém diga nada à Orfeu, porque nunca há “filhos” preferidos.

“Este foi um projecto até um pouco ingénuo. É ter aquela ideia de ter um bar onde pudesse passar a música que gosto, com os meus amigos e numa zona tão central”, diz. E apesar da ingenuidade da coisa, a verdade é que o desenvolvimento “foi natural”.

Hoje, quase um ano e meio depois da abertura do bar, Jorge conta com uma equipa “que se identifica com o Oub’Lá”. “Não deixa de ser um trabalho, mas divertimo-nos na maior parte do tempo. É um ambiente de trabalho fantástico”, refere. Ainda que não deixe de “ser duro”, há sempre espaço para a descontração no Oub’Lá — prova que o profissionalismo pode andar de mãos dadas com a diversão.

Na gestão do tempo, das responsabilidades e da descontração, garante ter “sorte em ter a Ana Catarina”, a irmã, que o acompanha “desde o início”. Um braço direito que lhe permite “ter algum tempo”, imprescindível quando há dois negócios para gerir.

No Oub’Lá, onde exposições de artistas menos conhecidos, de dentro e fora do concelho, sobe as paredes e colore o bar, a música é a maior das protagonistas. Por isso, Jorge não se quis ficar pela playlist pré-selecionada de uma qualquer plataforma de stream. Há DJ’s convidados (e outros que se fazem de convidados, a porta está aberta) com o nome inscrito na placa de giz que se pendura à porta do Oub’Lá. Há discos para se ouvir em primeira mão, com os artistas presentes e prontos para a conversa. E há, também, concertos domingueiros naquele espaço que parece tão pequeno para isso, mas que resulta. A programação de tudo isto “fica a cargo do Diogo Coelho”, que esteve com Jorge “logo no início”. Ambos partilham ideias e o resultado desse trabalho vê-se semana após semana.

Adolfo Luxúria Canibal há de saber que um bar em Guimarães tem o nome de uma das canções dos Mão Morta. E há de soltar, como fez em 1988, um “Oub’Lá” — uma expressão como esta pode ter conotações quase infinitas.

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