JÚLIO BORGES

Nome completo

Júlio Borges

Nascimento

01 de Setembro de 1974

Bragança

Profissão

Professor e Escritor

Nasceu em setembro, no ano do 25 de abril, altura em que a revolução ainda se fazia sentir. Ainda que não se veja dessa forma, Júlio Borges tem o espírito revolucionário entro de si.

Júlio Borges é licenciado em Matemática, no Instituto Politécnico de Bragança, na Escola Superior de Educação. Relembra a sua vida académica com saudades dos colegas que teve, que hoje considera que são exemplos de excelentes professores. Foi na universidade que teve o primeiro contacto com a literatura infantil, em que na altura pouco lhe aguçou o interesse. Só anos mais tarde ganhou o gosto pelos contos, com o Plano Nacional de Leitura, um projeto com os seus defeitos, mas que estimula os mais novos a ler, de acordo com o professor.

Quando acabou o curso, deixou a sua terra natal, Bragança, e desceu até à região minhota. Acompanhado pela sua esposa, também professora, começaram então uma nova vida, longe da família. Na cidade-berço, como o próprio diz “dorme desde 2003 e vive desde 2006”. Há 15 anos, via Guimarães como uma cidade “agradável e com um excelente cartaz cultural”. Hoje, continua a pensar da mesma forma, até porque ainda está por cá.

Dá aulas há 20 anos ao primeiro e segundo ciclo, embora tenha apenas ensinado a este último durante um ano. O professor de matemática reconhece a falta de entusiasmo pela disciplina nas crianças e nos jovens e justifica que “a matemática não é difícil, apenas é uma questão de compreensão e, principalmente, de treino”. Esta carência de empatia que os mais novos têm com os números foi fundamental para surgir a vontade de escrever histórias. O seu primeiro livro teve origem num problema com que se deparou na sala de aula. Os seus alunos admitiram-lhe que a matemática, para eles, não servia para nada, o que desafiou o professor a provar-lhes o contrário. Decidiu então construir uma história que demonstrasse a utilidade e a importância da matemática no dia-a-dia das nossas vidas. Ao receber elogios sobre o que tinha criado, enviou o texto para algumas editoras e acabou por ver o seu conto publicado após um ano. Nunca teve dentro de si a ambição de ser escritor. Aliás, no tempo em que era estudante fez greve contra a Prova Geral de Acesso ao Ensino Superior, porque, segundo o mesmo, um matemático não tinha de saber cultura geral. A sua opinião mudou quando descobriu que podia contribuir para ajudar as crianças a compreender melhor a matemática. “O país sem números”, publicado em 2003, foi o seu primeiro livro.

Desde então, decidiu escrever para ajudar os seus alunos e, em especial, a sua filha. Em 2017, lançou um novo conto que vai para além de problemas matemáticos. “Salto, Saltinho, Saltão. Cantor de vocação” foi criado para a sua filha, que tem medo de falhar. Júlio Borges percebeu que este medo não era apenas partilhado por ela. Descobriu que os mais novos sentiam o mesmo e que os adultos também receavam falhar. Para o escritor, “todos temos de falhar, porque temos sempre algo a perder”. Quando perguntado sobre o que mais teme, fala sobre uma colega sua que foi dar aulas para Timor. O professor recorda uma fotografia da amiga que estava “felicíssima” num local onde não há nada, sem medos a recear.

Júlio Borges tem várias histórias guardadas, que esperam ser publicadas um dia. E tem uma rúbrica mensal na revista Mais Guimarães. Quanto ao espírito revolucionário, conseguir juntar a matemática e os medos não é tarefa fácil. Abordar estes temas e transformá-los ainda em contos infantis divertidos e ilustrados, não é para todos e requer audácia e determinação.

Por: Luísa Nogueira

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