Luísa Fernandes

Nome completo:
Luísa Alexandra Oliveira Martins Fernandes

Data de nascimento:
30/10/1974

Naturalidade:
Guimarães

Profissão:
Professora/Investigadora

Nasceu à sombra de castelo de Guimarães, junto ao Hospital Velho. A família é toda ela de Guimarães desde há gerações, pelo que pode considerar “um produto genuíno da terra”. É a mais velha de duas irmãs, de uma família em que a convivência era fácil.

Caracteriza a família como de forte influência matriarcal. Há muitas mulheres  longevas, com vidas ricas e experiências para contar. Luísa é trineta da senhora Aninhas, uma figura que ficou na memória coletiva da cidade. Ana Joaquina de Magalhães Aguiar (1860-1948), era natural de Quinchães, freguesia do concelho vizinho de Fafe. Era casada com um empregado do Liceu e tinha uma pequena mercearia na rua de Santa Maria onde os estudantes acorriam para comprar cigarros e fazer as suas refeições. Muitos dos estudantes estavam deslocados, sem família, os cigarros e a comida eram pagos, mas o carinho que a senhora Aninhas lhes dedicava, como se fosse uma mãe, não tinha preço.

Se uma memória como esta perdurou na cidade, imagine-se na família. Luísa confessa a influência que esta memória teve sob a sua personalidade. Nunca conheceu pessoalmente a trisavó, mas de teve tempo de ouvir as histórias, contadas por uma bisavó que viveu até aos 103 anos e por uma avó, ainda viva, com 94.

Durante a juventude, dividiu os estudos entre a Escola Secundária Martins Sarmento e a Francisco de Holanda. Eram as ciências naturais que a atraiam, nessa altura. Como resultado dessa primeira paixão científica foi parar ao curso de Bioquímica na Universidade do Porto. Um engano. Com o curso quase acabado, numa atitude de coragem, decidiu mudar de rumo.

A opção foi pelo ensino, ainda na área das ciências. Licenciou-se em Ensino de Matemática e Ciências Naturais. Foi desta área que fez profissão, mas, inquieta, não lhe bastava. “Surgiu a oportunidade de fazer um Curso de Estudos Avançados (mestrado) na Universidade de Salamanca e agarrei a oportunidade”, afirma.

Nesta altura, começa uma viragem das ciências exatas e naturais para “um olhar sobre a pessoa com deficiência do ponto de vista das ciências da educação”. “Abriu-se um mundo novo para mim, deixei de olhar para os problemas de uma forma particular, ganhei um olhar holístico”, afirma.

O percurso académico continuou para o doutoramento em sociologia, na Universidade do Minho. Um caminho feito com esforço, sempre a dar aulas, sem nunca se poder dedicar à investigação a tempo inteiro. Pelo caminho ainda arranjou tempo para se dedicar à política, fazendo parte, como independente, da candidatura do BE à Câmara Municipal de Guimarães, liderada por Wladimir Brito.

O esforço valeu a pena, uma vez que a sua tese de doutoramento, “Ação organizacional e qualidade de vida. Um estudo comparado do Norte de Portugal e da Galiza no campo da deficiência mental”, venceu o Prémio António Dornelas 2019 e mais recentemente o Prémio de Ciências Sociais Fundação Vicente Risco.

Casada, com uma filha de um ano e meio, Luísa não pára, quando falamos pela primeira vez com ela, estava em Évora e no dia seguinte já estava na Régua, a fazer trabalho de campo para um novo projeto académico em que participa.

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