Manuel Mota

Nome
Manuel Mota Ribeiro

Naturalidade
Guimarães

Profissão
Presidente do NAT

Manuel Mota nunca foi atleta profissional, mas desbravou terreno para a edificação de uma das mais conceituadas coletividades de atletismo do concelho. O Núcleo de Atletismo das Taipas (NAT) tem, nos livros, cerca de nove anos de existência. Há, no entanto, uma história que precede a instituição, uma história de determinação.

O prólogo acontece na segunda metade da década de 90, altura em que Manuel Mota decidiu “começar a dar umas corridas”. Juntou alguns amigos e, à noite, altura em que a profissão deixava, foi domando terreno. Neste caso, o Parque das Taipas – espaço emblemático da vila no presente, mas que carecia de reputação no passado. “Na altura, poucos iam. As pessoas tinham medo. Havia lá algumas coisas que não eram do melhor”, ressalva.

Cerca de 25 anos, o NAT é amplamente conhecido. De um “grupo de amigos a correr” para uma instituição com sede e que participa em várias provas em diferentes latitudes, de norte a sul do país, contribuiu a perseverança do grupo inicial. “Hoje é algo organizado. Ficaram sempre os fundadores nesta caminhada com muitas dificuldades. Todos os sócios pagam 2,5 euros, temos cerca de 120 e 50 atletas. Com esse valor pagamos as corridas e contamos com a ajuda de dois patrocinadores”.

Manuel Mota diz-se orgulhoso do percurso da associação, que já “puxou” para a rua muita gente “que nunca tinha vestido uns calções”: “Puxar as pessoas de casa foi sempre a nossa preocupação. Ao longo destes oito anos, chegaram pessoas com 50, 55 anos que nunca tinham feito nada de desporto, ou por se sentiam enferrujados ou porque tinham um pouco de vergonha. Para nós não é problema. Dizemos: ‘Temos aqui o correr para todos os gostos’. E a verdade é que o pessoal lá se foi juntando. Posso dizer que tiramos muita gente de casa a quem nem passava pela cabeça fazer uma maratona. Temos um núcleo que puxa o povo para correr”.Quando “batem à porta” do NAT pessoas com mais de 50 anos há, na ótica de Manuel, uma sensação de “dever cumprido”.

Com tantos anos ligado a uma modalidade (e a uma organização), o responsável acumulou memórias e feitos alcançados devido “à paixão pelo atletismo”. “Um dos maiores”, relata, “foi ver o NAT ser representando na maratona do Porto com 35 atletas. Não é fácil uma equipa meter tantos atletas numa maratona. Ainda hoje conseguimos lá meter 15”. “Sinto orgulho por ter feito estes anos todos ao lado do NAT. Passei a minha vida dentro da associação”, remata.

“É mais do que atletismo”

Todos os sócios do NAT praticam a modalidade e começaram a criar rotinas. É possível ver a mistura entre os mais jovens e os graúdos, os experientes e aqueles que dão os primeiros passos no mundo do atletismo, ao domingo de manhã. É nessa altura que os membros se juntam para um treino coletivo que tem início no Parque das Taipas e calcorreia as redondezas. Mas há também o convívio, muitas vezes feito na sede da associação. Ali, são discutidos problemas e preocupações. O NAT é, por isso, “mais do que atletismo”.

Com o surto de covid-19, os planos baralharam-se. O calendário foi alterado, a corrida das Taipas – dadas – “um dos maiores eventos da vila, que mobiliza muita gente”– cancelada e a sede fechada. É muito triste. Estávamos habituados a conversar, tomar um café ao fim de semana (…). Havia um convívio, uma rotina rotina. Sentimos falta de estar juntos”.

Mas, tal como as provas em que participa, o núcleo taipense não foge ao desafio.

Afinal, “o atletismo é feito de pessoas que estão habituados a sofrer, vamos superar tudo”. “Quando desaparecer [a covid-19], vamo-nos juntar e voltar a ser a organização que fomos”, finaliza.

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