MÁRIO WILSON O “VELHO CAPITÃO” PARTIU

 Morreu no passado dia três de outubro Mário Wilson. Foi o técnico que mais vezes se sentou no banco do Vitória Sport Clube. Em duas passagens, ao longo da década de 1970 do século passado, o treinador dirigiu o Vitória em 177 jogos.

Como na maior parte dos casamentos que se rompem depois de muito tempo de vida em comum, o divórcio não foi fácil. Mario Wilson acabaria por sair em conflito com a direção e mal visto junto dos sócios, que antes tinham por ele um elevado reconhecimento. A segunda passagem de Mário Wilson pelo Vitória iniciou-se em 1977/1978, a convite do então presidente Gil Mesquita. Este convite deu-se, apesar do técnico ter deixado a equipa para ir treinar o Benfica, em 1975/1976, quando se diz que já havia um acordo apalavrado com o VSC.

Mário Wilson em 1974

Na época seguinte o técnico foi convidado para assumir um lugar de maior destaque no futebol do Vitória, como coordenador e responsável máximo pelo futebol. Foi aqui que começaram os problemas. Ainda na preparação da época Mario Wilson deslocou-se ao Brasil, numa viagem que durou um mês e que terá sido extremamente onerosa para o clube e de que resultou apenas a contratação de Mundinho. Ao longo dessa época Mario Wilson, na altura já com créditos reconhecidos, foi convidado para ocupar o cargo de selecionador nacional, pela Federação Portuguesa de Futebol.

A rotura com o Vitória de Guimarães concretizou-se depois de um jogo com o SC Braga

Apesar de relutante a direção do Vitória acabou por aceitar que o treinador se dividisse entre os dois cargos. Porém, as longas ausências do treinador, em compromissos da seleção, deterioraram o ambiente na equipa que de jogo para jogo piorava técnica e fisicamente. A rotura acabaria por se concretizar após um jogo com o SC Braga, disputado no Municipal de Guimarães, em que o triunfo garantiria o quarto lugar e o acesso às competições europeias. O Vitória perdeu por 1-0 e o treinador foi demitido e impedido de voltar ao clube.

Foi na Académica que ganhou a alcunha de "Velho Capitão"

Antes desta época fatídica que ditou o afastamento tinha havido outra passagem do treinador pelo VSC, de melhor memória. Entre 1971 e 1975, o técnico, nascido em Lourenço Marques, a 17 de outubro de 1929, liderou a equipa do Vitória de Guimarães com relativo sucesso. Embora nunca tenha qualificado a equipa para as competições europeias, conseguiu colocar a equipa sempre no primeiro terço da tabela. Nesta altura a equipa do Vitória que vinha de brilhantes prestações na década de 1960, precisava de se renovar e Mário Wilson foi o homem certo.

Foi responsável por lançar, na equipa principal do VSC, jogadores como Abreu e Romeu

É unânime a ideia de que a equipa jogava um futebol bonito, com pormenores invulgares para a época, como a subida dos laterais a apoiar o ataque a causar desequilíbrios. Na época o técnico foi responsável por lançar na equipa jogadores criados na casa como Abreu e Romeu. A época de 1974/1975 foi a melhor desta passagem de Mário Wilson pelo Vitória. A uma equipa madura e que já havia assimilado os princípios do treinador, juntaram-se alguns jogadores excecionais como o brasileiro Jeremias, Ramalho, Pedrinho, entre outros. O objetivo do investimento por parte da direção era claro: atingir as competições europeias. Para alcançar o objetivo era preciso o quarto lugar.

Mário Wilson em 1974

O Vitória recebeu o Boavista no último jogo, precisamente em quarto lugar, com dois pontos de vantagem. Jogo de má memória. Numa arbitragem inqualificável António Garrido inclinou o campo a favor do Boavista. Ao longo de toda a partida decidiu a favor dos axadrezados e como se não bastasse anulou um golo ao Vitória, alegadamente por a bola não ter ultrapassado a linha de golo. Certo é que o Boavista ganhou, ficou com o quarto lugar e com a passagem para as competições europeias. Outra história se poderia ter escrito entre Mário Wilson e o VSC se naquele dia António Garrido não tivesse sido o protagonista do jogo.

Foi ao serviço da Académica que mais brilhou

Como jogador Mário Wilson começou no Desportivo de Lourenço Marques, veio para Portugal aos 19 anos para representar o Sporting CP, na temporada de 1949/1950. Ao jovem moçambicano pedia-se que fizesse esquecer o mítico Peyroteu que na altura se retirou. Nos Leões, marcou 37 golos em 38 jogos. Acabou por se transferir para a Académica, quando foi estudar para Coimbra, no tempo em que a equipa da Briosa ainda era constituída por estudantes. Pela equipa dos estudantes, apesar de ter passado a jogar como central, marcou 250 golos.

No fim da carreira como jogador, foi na equipa da academia coimbrã que se tornou treinador substituindo no cargo Pedroto, com quem havia de cultivar uma disputa nem sempre muito cavalheiresca de parte a parte. Da passagem pela Académica, como treinador, ficou na memória a temporada de 1966/1967 em que a equipa ficou em segundo lugar no campeonato, dando forte luta ao Benfica e foi à final da Taça de Portugal, que perdeu para o Vitória de Setúbal.

O “velho capitão”, que completaria no dia 19 deste mês 87 anos, acabou por só ser feliz no banco das águias, ganhou um campeonato (75/76) e duas Taças de Portugal (1980 e 1996).

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