MIGUEL BASTOS

Nome completo: João Miguel da Silva Oliveira Bastos
Nascimento: 06 de Novembro de 1969 Guimarães, Portugal
Profissão: Engenheiro Civil

São dez da manhã de um sábado de nuvens carregadas e Miguel Bastos já está junto da estátua de D. Afonso Henriques à espera do grupo de cerca de 40 pessoas que vai guiar pelas muralhas de Guimarães. Munido de ilustrações, maquetes 3D e documentos, lá vai explicando o que foi “o sistema defensivo que dominou o burgo e pontuou a sua paisagem, durante mais de cinco séculos, metade da vida da nossa cidade”, lê-se no Opúsculo que distribuiu no final da visita e onde está reunida grande parte da informação que vai transmitindo.

Mas ler esse documento não chega. É a expressividade que Miguel Bastos imprime nas suas intervenções que fazem com que esta visita seja uma experiência marcante, tanto para os nascidos na terra, como para quem vem de fora. Olhando para a cidade, afirma não ter partido – “sou apartidário e agnóstico” – e defende que as eleições autárquicas não deviam seguir uma lógica de partido mas de pessoas. “Há várias pessoas de valor nos diferentes quadrantes políticos mas a sua filiação partidária faz com que não se possam juntar numa lista para fazerem mais pela cidade”, pontua.

Miguel Bastos faz, diria que obviamente, parte da Muralha – Associação de Guimarães para a Defesa do Património. Está ligado a uma série de instituições vimaranenses como a Associação dos Antigos Estudantes do Liceu de Guimarães – Velhos Nicolinos. Aliás, as Nicolinas estão no seu ADN e há uma vintena de anos que escreve e dirige as Danças. Mas sentencia que a edição de 2015 foram as últimas porque “há que dar lugar a outros e alguém tem que tomar conta”.

A veia artística vir-lhe-á dos seus tempos de estudante universitário quando correu o país com o Orfeão Universitário do Porto. Fez Engenharia Civil para uns anos mais tarde ingressar na licenciatura de Filosofia, que terminou sem frequentar nenhuma cadeira, apenas estudando por apontamentos e livros. Deram-lhe a oportunidade de escolher disciplinas de outras áreas e foi para História da Arte e Arquitectura medievais. Será aqui o ponto de encontro com a paixão pelas muralhas de Guimarães.

Dos tempos do Orfeão enriqueceu-o, sobretudo, o contacto inter-universidades: “hoje se precisamos de um amigo médico, temos, se precisarmos de um amigo advogado, temos”. Há um círculo que se fecha. Uma das filhas – tem duas, uma de 17 e outra de 13 anos –entrou em Direito, também na Universidade do Porto, cujas instalações serviram, no tempo de Miguel Bastos, para a Faculdade de Engenharia, onde conheceu a mulher, também engenheira civil. Há uns tempos, decidiu verter as suas experiências para letras que Paulo Rodrigues interpreta em “Pontas Soltas” (há um concerto agendado para este sábado, 12, no Salão Paroquial de Ronfe).

Projetista e avaliador imobiliário, está agora mergulhado em muito trabalho. “Todos os dias me chegam propostas para avaliar imóveis quando há uns três anos, com a crise imobiliária, a coisa estava parada. É um trabalho muito sazonal”, refere. Mora em Penafiel, onde tem uma casa de raiz. “Na verdade, durmo em Penafiel mas vivo em Guimarães. Costumo dizer que sinto mais esta cidade do que muitas pessoas que efetivamente estão cá”. Miguel Bastos fez o seu percurso pelas muralhas num sábado. Seguiu para casa para adiantar trabalho. “Mas amanhã [domingo] estou aqui outra vez. Há quem vá à missa ao domingo. Eu venho a Guimarães”.

Por: Catarina Castro Abreu

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