“O Barbeiro Rui”

Nome completo

Rui Ricardo Rodrigues

Nascimento

22 de Maio de 1973

Guimarães

Profissão

Barbeiro

Existem muitas histórias que merecem ser contadas ou pelo seu final, ou pelo seu entusiasmo ou pela sua moral. A história do barbeiro Rui merece ser contada para relembrar o que já foi esquecido, tentando mudar mesmo o quotidiano dos vimaranenses.

Ao longo da sua vida, barbeiro foi a profissão que Rui sempre conheceu e que escolheu desde muito novo. Começou a sua relação com as tesouras e com as lâminas aos 14 anos. Ainda a estudar, o barbeiro trabalhava nos tempos livres da escola, ganhando assim a experiência e sabedoria que tem hoje. O seu trajeto foi iniciado numa barbearia em Urgezes. Quando tinha cerca de 18 ou 19 anos, Rui embarcou numa viagem de 25 anos, na emblemática rua da Rainha, na barbearia do senhor João. Durante um quarto de século, Rui Rodrigues viveu “boas histórias e experiências”. Contudo, a sua viagem terminou. Não porque assim o quis, mas porque a vida de comerciante local “não é fácil” e complica-se se o estabelecimento ficar localizado no centro histórico.

Sobre a rua da Rainha, tem muito para contar. As primeiras recordações são da sua clientela, principalmente mais velha, que entre “palavrões bonitos” lhe transmitiam experiência e sabedoria. Até mesmo o Bispo passou pelas suas tesouras. Na visão do barbeiro Rui, a sua profissão cresceu muito, nos últimos 30 anos. No entanto, “o que mudou mais foram os clientes”. “Hoje em dia, os homens são mais vaidosos e olham-se mais ao espelho”, afirma o barbeiro que sublinha que as condições de vida da sociedade mudaram e que, atualmente, o bem-estar é mais valorizado do que há alguns anos, onde muitos não tinham as mesmas condições de higiene que hoje têm. Fala ainda sobre as idas mais frequentes ao barbeiro. “Os miúdos cortavam o cabelo apenas quatro vezes por ano: no Natal, na Páscoa, no fim e no início das aulas”, recorda o barbeiro.

Em relação às experiências menos boas com os clientes, Rui não se lembra de nenhuma muito marcante, que apenas cresceu com todos os altos e baixos da vida. O ponto mais agridoce destes 25 anos, foi trabalhar no centro da cidade que tanto estima e admira, mas conhecer o lado negro e vazio das ruas históricas. De acordo com Rui Rodrigues, “o problema do centro histórico já não é de hoje. Existem as casas muito velhinhas, onde há muitas dificuldades, e depois existem as casas novas, que são muito caras, apenas para quem tem salários de topo”. O barbeiro, com um termo muito próprio, resume o mal que paira por aquelas ruas: “turismofobia”. “O nosso centro histórico está muito bem preparado para o turismo, mas em termos comerciais, infelizmente, está muito mau”. O seu local de trabalho não era o único que sofria com a falta de adesão ao comércio local, chegando “muitas lojas a abrir apenas de tarde porque as manhãs eram desertas.” Porém, Rui reconhece que as pessoas não têm essa perceção má do comércio local, devido “aos dias de festa e às noites de verão” onde “aparentam ser lojas movimentadas com ruas cheias de gente”. No entanto, só acontece nesses dias.

Há cerca de duas semanas, o barbeiro Rui mudou-se para o largo do S. Brás, junto à avenida D. João IV. Com uma decoração que faz justiça ao seu estilo, Rui escolheu o local, pela fácil acessibilidade, que a rua da Rainha não oferecia. A sua principal preocupação é manter a qualidade dos serviços e proporcionar bem-estar aos seus clientes. O desejo do barbeiro Rui era continuar na rua onde celebrou 25 anos de carreira, de quem fala com um brilho nos olhos. No entanto, este é um dos muitos comerciantes que teve de abandonar o centro histórico, onde já não existe movimento nem esperança.

Por: Luísa Nogueira

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